No próximo dia 6 de fevereiro, o Berbigão do Boca abre oficialmente o Carnaval de Florianópolis e entre os muitos elementos que fazem da festa uma celebração singular, os tradicionais bonecos gigantes ocupam um lugar de destaque e afeto. Inspirados tanto nos icônicos bonecos do Carnaval de Olinda quanto na Maricota, figura emblemática do nosso Boi de Mamão, essas alegorias carregam mais do que criatividade e cor: mantêm viva a memória de personalidades que marcaram profundamente a história cultural da capital catarinense, em especial o próprio carnaval da cidade.
Ao longo dos anos, nomes como o bruxo Franklin Cascaes, o poeta Zininho, a cantora Neide Maria Rosa, o radialista, cronista e apresentador de TV Aldírio Simões, a sambista Nega Tide, o carnavalesco Avez-Vous, o eterno Rei Momo Ernani Hulk, entre outros, ganharam suas versões gigantes e festivas, que desfilam pelas ruas da cidade como símbolos de resistência cultural e valorização das raízes locais.
Criados pelo artista e folclorista Alan Cardoso, os bonecos do Berbigão do Boca são uma homenagem póstuma a figuras que deixaram um legado expressivo para a cidade e para o seu Carnaval. Desde 1997, quando o cantor e compositor Luiz Henrique Rosa foi o primeiro a ser imortalizado em forma de boneco, a tradição vem crescendo e consolidando-se como uma reverência pública à memória daqueles que ajudaram a construir a identidade de Florianópolis.
A seguir, conheça quem são os 45 já homenageados pelo Berbigão do Boca, personagens que continuam presentes na folia e na memória afetiva dos florianopolitanos.


Quem são os homenageados do Berbigão do Boca
Luiz Henrique Rosa (1938–1985)
Compositor consagrado, gravou discos no Brasil e nos EUA, e teve músicas interpretadas por nomes como Liza Minnelli. Fundador da gravadora Itagra e criador da banda Mexe-Mexe, ligada ao Carnaval de rua de Florianópolis.
Lagartixa (1925–1997)
Primeiro Rei Momo da cidade, símbolo irreverente dos carnavais da Ilha. Figura icônica do bloco Aí vem a Marinha e dos foliões vestidos de mulher.
Nego Tuca (1948–1995)
Figura central do Carnaval popular, participou da escola Protegidos da Princesa e de blocos como Enterro da Tristeza. Atuou como discotecário e chefe da banda do Berbigão do Boca.
Zininho (1928–1998)
Poeta e compositor do hino oficial de Florianópolis, Rancho de Amor à Ilha. Teve longa trajetória na música e na radiodifusão.
Parú (1927–1998)
Boêmio e esportista, participou de várias modalidades e competições curiosas, como a do “Glutão”. Conhecido por seu humor e pela paixão pela cerveja.
Neide Mariarosa (1936–1994)
Cantora premiada que brilhou em rádios locais e no Festival Internacional da Canção. Atuou ao lado de grandes nomes da música brasileira.
Beto Stodieck (1946–1990)
Jornalista criador do irreverente Jornal do Beto. Colunista influente e personagem marcante da imprensa catarinense.
Djalma do Piston (1928–1998)
Músico irreverente, animava festas e jogos com seu inseparável piston. Símbolo da boemia manezinha e torcedor fanático do Figueirense.
“Negão” Tenente (1966–1998)
Sambista de coração e cidadão-samba do Morro da Caixa. Participava de escolas e blocos com alegria e carisma.
Meyer Filho (1919–1991)
Artista plástico de estilo inconfundível, criador de galos mitológicos e fundador da GAPF. Um dos maiores nomes das artes em Santa Catarina.
Bia Rosa (1949–2000)
Atuante na Protegidos da Princesa, foi chefe de ala e promotora de eventos na Dizzy. Jurada de concursos e presença constante no carnaval.
Pedrinho do Pandeiro (1935–2003)
Boêmio e sambista, animava rodas com seu pandeiro e carisma. Compositor oficial do Berbigão do Boca.
Aldírio Simões de Jesus (1942–2004)
Radialista, cronista e apresentador de TV que eternizou a cultura manezinha com seus programas e o Troféu Manezinho da Ilha. Dirigiu a Fundação Franklin Cascaes e promoveu importantes eventos culturais.
Miro (1956–2004)
Colunista social irreverente, participou desde o início do bloco Sou+Eu. Presença marcante nos eventos e nos verões da cidade.
Carlinhos da Tuba (1949–2005)
Músico da Banda Amor à Arte e figura presente desde a primeira edição do Berbigão. Seu legado continua com o filho, que carrega seu boneco.
Serratini (1936–2005)
Saxofonista, músico de circo e personagem alegre do carnaval. Conhecido por sua boina vermelha e espírito aventureiro.
Yoldory Bittencourt (1927–2005)
Empresário do Café Otto e fundador do bloco Amanhece Bom Jesus. Sócio benemérito da Copa Lord e amante do carnaval de rua.
Ricardinho Bavasso (1962–2005)
Promotor de eventos e voluntário em causas sociais. Colunista social e figura alegre do Berbigão.
Ademar Ben Johnson (1950–2006)
Figura folclórica da cidade, era conhecido por seu jeito irreverente e presença no Mercado Público. Considerava-se manezinho de coração.
Bulcão Viana (1939–2007)
Professor, político, ex-prefeito e frequentador do Mercado Público e do Senadinho. Foi presidente do Lira Tênis Clube.
Ariel Bottaro Filho (1946–2007)
Jornalista, dirigiu redações e veículos de TV e imprensa em SC e fora do estado. Participava ativamente do Carnaval da cidade.
Tullo Cavallazzi (1936–2008)
Criador da orquestra humorística Philarmônica Destherrense. Personagem querido, torcedor avaiano e presença marcante nos carnavais.
Avez-Vous (1929–2008)
Fundador da escola Copa Lord e vereador, era apaixonado pelo samba. Foi atropelado após visitar os preparativos do desfile, tornando-se símbolo do amor pelo Carnaval.
Hélio Cabrinha (1931–2009)
Presidente lendário da Protegidos da Princesa, com trajetória iniciada nos anos 50. Figura elegante, respeitada e influente no Carnaval da Ilha.
Dedão (1942–2008)
Boêmio e sambista, desfilou também no Rio e incentivou os filhos a viverem o samba. Participava ativamente dos blocos e do Berbigão.
Mestre Dica (1954–2009)
Presidente da Coloninha e figura de liderança do samba local. Escondeu uma grave doença para não deixar sua escola sem desfile.
Adilson Coelho (1969–2010)
Cidadão-Samba por seis vezes, era passista da Copa Lord. Amava o Carnaval e participou do Berbigão com alegria e dedicação.
Peteleco – Airton Oliveira (1942–2011)
Secretário de Turismo e presidente da SANTUR, foi incentivador do Berbigão e do Carnaval da cidade. Professor respeitado e carnavalesco apaixonado.
Franklin Cascaes (1908–1983)
Pesquisador, escritor e artista plástico, dedicou a vida à cultura açoriana. Referência na identidade ilhoa e responsável pelo maior acervo sobre o folclore da Ilha.
Carlos Magno (1954–1992)
Artista plástico e decorador de carnaval, foi quem criou o termo “Ilha da Magia”. Inovou desfiles e fez história na Coloninha.
Paulo Dutra (1940–2012)
Fotógrafo e jornalista irreverente, atuou em grandes veículos da imprensa. Figura querida e brincalhona nos bastidores do Carnaval.
Torrado (1935–2013)
Professor de educação física e dirigente esportivo, participou de todas as edições do Berbigão. Recebeu a Comenda do Mérito Esportivo.
Nega Tide (1948–2013)
Rainha do Berbigão do Boca e símbolo da cultura negra da Ilha. Desfilou em todas as escolas e foi eleita a primeira cidadã-samba da cidade.
Maestro Mendes (1939–2013)
Regente da Banda Amor à Arte por mais de 50 anos. Músico dedicado e educador de gerações.
Pitanga (1944–2014)
Personagem folclórico e contador de histórias, foi eleito “o maior mentiroso de Florianópolis”. Inspirou livros e encantava com suas camisas coloridas e causos.
Hassis (1921–2001)
Pintor muralista, revolucionou a arte em Santa Catarina com obras em painéis e prédios e locais públicos, como o petit pave com temática manezinha da Praça XV. Decorador dos carnavais da cidade por décadas.
Arsênio (1960–2015)
Cidadão-Samba e educador comunitário, ensinava samba e instrumentos em comunidades carentes. Participava com paixão do Berbigão do Boca.
Maurício Amorim (1941–2016)
Empresário e boêmio, fundador de casas noturnas como o Capelinha e o Tritão. Coordenou o Festival Gastronômico do Berbigão com dedicação.
Túlio Carpes (1941–2017)
Boêmio criador da banda Mexe-Mexe, foi presença irreverente nos carnavais da cidade. Ficou famoso por seu “bronzeamento” cênico na frente do Palácio do Governo.
Hernani Hulk (1954–2019)
Rei Momo de Florianópolis por quase 30 anos, venceu o concurso nacional e reinou até 2019. Figura carismática e inesquecível da folia.
Dico – Osvaldo Gonçalves (1939–2021)
Artista plástico e costureiro de fantasias, encantava nos desfiles da Copa Lord. Pai de Santo e referência cultural da cidade.
Rato – Nilton Eliseu da Silva (1938–2022)
Percussionista e chefe da banda do Berbigão desde 1996, foi corneteiro de JK no Rio. Viveu intensamente o samba e o carnaval até os últimos dias.
Lidinho – Lídio Augusto Costa (1940–2024)
Cidadão-Samba da Copa Lord, tocava pandeiro e tamborim com paixão. Deixou um legado de alegria, dança e amor pelo samba de Florianópolis.

Fundador da bateria do Berbigão é o homenageado de 2026
Figura do carnaval de Florianópolis, Albertino João de Farias Filho, mais conhecido como Tinga do Repinique, é o homenageado do Berbigão do Boca em 2026 e ganhará seu boneco na edição deste ano. Natural do Morro da Caixa, Tinga foi criado por Dona Lina e Sr. Albertino em um ambiente de valorização à cultura popular. Desde cedo envolvido com o samba, integrou a escola Protegidos da Princesa e tornou-se presença marcante em espaços tradicionais da cidade, como a Ponta do Coral.
Foi um dos fundadores da bateria do Berbigão do Boca e participou de 33 edições da festa, inclusive em 2025, mesmo já doente. Ao longo de décadas, sua atuação no carnaval o transformou em um dos nomes mais respeitados e queridos da cena carnavalesca da capital. Faleceu em 2025, deixando um legado de dedicação ao samba e ao carnaval de rua de Florianópolis.

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Conteúdo produzido a partir de informações do site do Berbigão do Boca.