Tradição e fé marcam abertura da Safra da Tainha em Florianópolis

Eventos reúne pescadores e comunidade em celebrações que destacam tradição, economia e cultura da pesca artesanal na capital catarinense.

Florianópolis inicia, a partir do dia 26 de abril, a programação oficial da Safra da Tainha 2026, um dos momentos mais representativos da cultura pesqueira local. As atividades reúnem pescadores, famílias e a comunidade em uma série de celebrações que destacam a tradição, a fé e a valorização da pesca artesanal na capital catarinense.

A abertura simbólica ocorre na Praia do Campeche, com a tradicional missa da safra, marcada para o domingo (26), às 7h30. A celebração será transmitida para todo o estado de Santa Catarina, conectando comunidades pesqueiras e reforçando o caráter religioso que acompanha o início da temporada.

A programação segue no dia 30 de abril, também no Campeche, com ações voltadas ao compartilhamento de saberes da pesca artesanal, incluindo atividades educativas com estudantes, exibição de material audiovisual e uma roda de conversa que aborda os 200 anos da Igreja São Sebastião do Campeche e sua relação histórica com a atividade pesqueira. O dia será encerrado com o tradicional terço luminoso, procissão na praia e confraternização comunitária.

O ponto alto das celebrações ocorre no dia 1º de maio, quando é oficialmente iniciada a safra. A agenda contempla desde café comunitário e exposições culturais até procissões, bênçãos aos pescadores e debates sobre os desafios e expectativas para a safra 2026. Também estão previstas apresentações culturais, oficinas ambientais, ações de limpeza da praia e homenagens às conquistas da pesca artesanal.

Paralelamente, a Praia do Moçambique também recebe uma programação especial no dia 1º de maio, com celebração, apresentações e café da tarde no Rancho Parelha Atobá, reunindo a comunidade local em torno do início da safra.

Foto: Andy Puerari / Divulgação PMF

Programação oficial da abertura da Safra da Tainha 2026

26 de abril | domingo
Praia do Campeche – Rancho de Pesca Sociocultural Getúlio Manoel Inácio

7h30 – Missa da safra da tainha 2026 transmitida para todo o estado de Santa Catarina

30 de abril | quinta-feira
Praia do Campeche – Rancho de Pesca Sociocultural Getúlio Manoel Inácio

14h – Cultura da Pesca Artesanal: compartilhando saberes – com estudantes do NEIM Campeche (Núcleo de Educação Infantil Municipal)
18h45 – Abertura oficial da 19ª edição do evento com Rodrigo Stüpp (Guia Manezinho) e Carla Inácio (IGMI). Diário audiovisual – “Enquanto as tainhas não vêm”, de Artur Hugo (PPGAS UFSC/ FAPESC)
19h15 – Roda de conversa – 200 anos da Igreja São Sebastião do Campeche e a Pesca Artesanal
20h – Terço luminoso e procissão na praia do Campeche
21h – Confraternização comunitária

01 de maio | sexta-feira
Praia do Campeche – Rancho de Pesca Sociocultural Getúlio Manoel Inácio

7h15 – Abertura do rancho para a comunidade. Música com Edu Madma
7h30 – Café comunitário e Abertura das exposições e vivências culturais
9h – Procissão com o Grupo Música do Rancho da Canoa e as bandeiras do divino. Hasteamento das bandeiras com representantes da história da pesca artesanal de SC. Missa na praia
10h30 – Cerimônia de abertura do Centro Cultural e Rancho de Pesca Getúlio Manoel Inácio com Muriel Costa. Benção aos pescadores do litoral catarinense
10h45 – Pescadores e a pesca da tainha: conquistas, desafios e expectativas para a safra 2026
11h15 – Apresentação – As Aventuras de Darci
12h – Premiação da Primeira Volta à Ilha com Canoa Artesanal
13h30 – Apresentação de capoeira – Casa Cultural Canela Preta. Oficina de pesca – Cultura da Pesca Artesanal: compartilhando saberes com Ivanir Faustino. Apresentação – Coletivo Casa das Rendas do Campeche (Cantiga Popular Ilhoa)
14h – Oficina Floram vai à praia
14h30 – Apresentação da Banda de Música do Corpo de Bombeiros de Santa Catarina. Ação de limpeza de praia com voluntários do Instituto Nexxera e comunidade
15h30 – Oficina ambiental – Projeto Tamar
16h45 – Apresentação do Boi de Mamão do Campeche
18h – Encerramento oficial do evento

01 de maio | sexta-feira
Praia do Moçambique – Rancho Parelha Atobá
Horário: 14h
Celebração
Apresentação
Café da tarde

pesca artesanal da tainha

Importância econômica e cultural da pesca da tainha

A safra da tainha representa um dos pilares econômicos, sociais e culturais de Florianópolis, com impacto direto na vida de centenas de famílias que dependem da pesca artesanal. O período, que se estende de maio a julho, coincide com a migração dos cardumes pelo litoral e mobiliza uma ampla cadeia produtiva, que vai desde os pescadores até setores como transporte, comercialização e gastronomia.

Além de impulsionar a economia local, a atividade fortalece o turismo, especialmente pela valorização da culinária típica. A tainha é um dos principais símbolos da gastronomia da capital catarinense, presente em preparos tradicionais como a tainha assada na brasa ou recheada com ovas. Esse patrimônio culinário contribui para o reconhecimento internacional de Florianópolis como Cidade Criativa da Gastronomia pela UNESCO, reforçando a relação entre cultura, território e desenvolvimento sustentável.

Do ponto de vista social, a pesca da tainha também desempenha papel relevante na segurança alimentar, sendo fonte de proteína de alta qualidade para a população. O conhecimento tradicional dos pescadores — construído ao longo de gerações — permite a leitura das condições do mar, dos ventos e dos ciclos naturais, contribuindo para a preservação ambiental e para a continuidade da atividade.

Com base nesse cenário, o poder público tem ampliado investimentos em infraestrutura durante a safra, com melhorias nos ranchos de pesca, instalação de banheiros químicos e reforço na iluminação. Medidas de segurança, como a limitação de esportes aquáticos em determinadas praias, também são adotadas para garantir a integridade dos pescadores durante o período.

rota da tainha
Foto: Allan Carvalho / Divulgação PMF

Rota da tainha valoriza cultura e território

A chamada Rota da Tainha consolida-se como uma estratégia de valorização cultural e turística em Florianópolis, reunindo 26 praias oficialmente reconhecidas pela tradição da pesca artesanal. Entre elas estão Armação do Pântano do Sul, Barra da Lagoa, Campeche, Ingleses, Joaquina, Moçambique, Pântano do Sul e Ribeirão da Ilha, locais que preservam práticas históricas e mantêm viva a identidade pesqueira da cidade.

A iniciativa promove ações de divulgação, sinalização e reconhecimento desses territórios, destacando sua relevância histórica, ambiental e econômica. Ao integrar diferentes regiões da Ilha, a rota fortalece o vínculo entre comunidades e amplia a visibilidade da pesca artesanal como patrimônio cultural.

Os números recentes evidenciam a importância da atividade. Em 2025, Florianópolis registrou 51 embarcações licenciadas na modalidade de emalhe anilhado, envolvendo cerca de 500 a 600 pescadores. A produção se aproximou de 400 toneladas de tainha, gerando um impacto econômico estimado em R$ 4 milhões. Já o arrasto de praia mobilizou mais de mil pessoas, distribuídas em 57 ranchos ao longo do município.

Combinando tradição, economia e turismo, a Rota da Tainha reforça o papel estratégico da pesca artesanal para o desenvolvimento local, ao mesmo tempo em que preserva um dos mais importantes legados culturais da Ilha de Santa Catarina.

abertura da safra da tainha 2026
Foto: Andy Puerari / Divulgação PMF

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Foto: Ricardo Wolffenbüttel / Divulgação SECOM

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