Durante sete dias, ruas, galerias, fachadas e espaços públicos de Florianópolis serão ocupados por uma programação que reúne mais de 100 artistas brasileiros e estrangeiros. Entre 1º e 7 de setembro, a terceira edição do Festival Street Art Tour espalha intervenções pelo Centro, Córrego Grande, Estreito, Mariquinha e Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), ao mesmo tempo em que concentra no Largo da Alfândega parte das atividades culturais e os principais shows do evento.
Com o tema “Conexões Lusófonas”, a edição de 2026 amplia o intercâmbio internacional do projeto ao reunir artistas de Santa Catarina, de diferentes regiões brasileiras e de países como Angola, Portugal e Cabo Verde. A proposta é utilizar a arte urbana e a música para abordar as relações históricas e culturais entre territórios ligados pela língua portuguesa, sem tratar a lusofonia como uma identidade cultural homogênea.
A programação do Festival Street Art Tour combina produção de novos murais, pinturas coletivas, exposições, oficinas, Mercado de Arte, live painting e passeios guiados. No fim de semana, o Largo da Alfândega recebe apresentações de nomes como Criolo, Amaro Freitas, Dino D’Santiago, Melly, Stefanie, Makalister e MC Versa.
Florianópolis como território das intervenções
A ocupação de diferentes regiões da capital é um dos principais eixos do Street Art Tour. Nesta edição, estão previstos três murais no Centro de Florianópolis e dois na UFSC, além de intervenções no Córrego Grande, Estreito, Largo da Alfândega e Mariquinha.
Entre os trabalhos anunciados está um mural em homenagem ao pintor Victor Meirelles (foto), nascido em Florianópolis. Também estão previstas a pintura coletiva Falando de Graffiti, no Córrego Grande; a ação coletiva Travessias, no Estreito; um mural no Centro Cultural Anastácia; uma pintura coletiva na Galeria de Arte da Mariquinha; e uma intervenção temporária na Galeria Viva, no Largo da Alfândega.
As obras ampliam um conjunto de intervenções realizadas pelo Street Art Tour na cidade desde 2018. Ao longo desse período, o projeto passou por empenas, fachadas e outros pontos do espaço urbano, especialmente na região central. Entre as obras já realizadas estão o mural em homenagem ao poeta catarinense Cruz e Sousa, de Rodrigo Rizo; “Viva Cidade Viva”, na Rua Felipe Schmidt, de Cris Pagnoncelli e Tio Trampo; “Eterna”, do Acidum Project; e “Fritz e Rosa”, de Ignore Por Favor.
Tema relaciona língua, memória e formação cultural
O conceito “Conexões Lusófonas” parte das relações estabelecidas entre diferentes sociedades que têm o português como língua oficial ou elemento de sua formação histórica. A abordagem do festival considera que essa conexão é resultado de processos que incluem colonização, migrações, resistências e intercâmbios culturais.
A programação do Festival Street Art Tour pretende levar essas questões para os murais, exposições e apresentações musicais. Entre os assuntos indicados pela organização estão herança colonial, identidade periférica, ancestralidade africana, migração, memória e cultura popular contemporânea.
Nesse contexto, Florianópolis aparece não apenas como sede, mas também como parte da discussão proposta pela curadoria. A influência açoriana presente na formação cultural da cidade — perceptível na arquitetura, na pesca e em elementos da linguagem — é colocada em diálogo com manifestações contemporâneas produzidas em outros territórios de língua portuguesa.
Segundo o curador do festival, Rodrigo Rizo, a definição do tema está relacionada a uma experiência de intercâmbio realizada em 2024, quando participou do festival de arte urbana SCAW, em Cabo Verde, a convite das produtoras culturais portuguesas MGA e ORB Creative Lab. Na mesma viagem, Rizo também esteve em Portugal. A experiência, segundo o curador, evidenciou as diferenças culturais existentes entre sociedades que compartilham o português e levou à proposta de aproximar esses territórios por meio da arte urbana.
Largo da Alfândega recebe shows do Festival Street Art Tour
O Largo da Alfândega, no Centro, será um dos principais pontos de encontro do festival. Além das atividades ligadas às artes visuais, o espaço concentra a programação musical nos dias 5 e 6 de setembro. A curadoria musical do Festival Street Art Tour segue o mesmo conceito das intervenções visuais e reúne artistas vinculados a diferentes linguagens e contextos culturais. A proposta inclui referências de gêneros como samba, funaná, afrobeat, rap crioulo, amapiano e fado.
Veja as atrações:
- No sábado (5), estão previstas apresentações de MC Versa com Green Tea, Makalister, DJ Belton, Alka, Negro Rudhy, Gustavo Menor e Melly.
- No domingo (6), a programação reúne Criolo, Amaro Freitas, Dino D’Santiago e Stefanie.
Mercado de Arte reúne 17 artistas
Além dos shows, o Largo da Alfândega receberá um Mercado de Arte formado por 17 artistas selecionados de diferentes regiões brasileiras. O espaço será destinado à apresentação da produção de artistas ligados à arte e à cultura urbana contemporâneas.
Outra frente será a produção artística ao vivo. Dez artistas participarão de sessões de live painting, permitindo que o público acompanhe o processo de criação das obras durante o evento. As ações incluem uma intervenção temporária na Galeria Viva do Largo da Alfândega.
O público também poderá participar de atividades práticas. A programação prevê oficina de spray em tapume, Oficina Ateliê da Paris do Brasil, oficina de lambe-lambe com o Festival Lambe Floripa e oficina de customização da Posca, conduzida pela artista Iannaccone.
Exposições pelo Centro e passeios guiados
As galerias também fazem parte do circuito do Festival Street Art Tour. A exposição “Língua Viva”, da artista paranaense Cris Pagnoncelli, será aberta em 2 de setembro, às 19h, na Galeria Berlin, na Rua Vitor Konder, 409, no Centro. A mostra poderá ser visitada de terça-feira a sábado, das 13h30 às 23h. A programação relacionada à artista inclui ainda atividades formativas. O workshop “Entre Lábios Letras” está previsto para 2 de setembro, das 14h30 às 18h30, na Galeria Berlin, com ingressos limitados.
Outra exposição integra a programação no entorno da Praça XV de Novembro. “É Apenas o Começo”, do artista Wagner Wagz, será aberta no dia 5 de setembro, às 10h, na Galeria Municipal Paulo Vichetti. No sábado, a visitação ocorre das 10h às 16h.
O público também poderá conhecer parte das intervenções urbanas de Florianópolis por meio de caminhadas guiadas pelo Centro. O Tour Guiado será realizado nos dias 5 e 6 de setembro, com o guia Rodrigo Stupp, o Guia Manezinho. A participação será gratuita, e os horários dos percursos serão informados posteriormente pelos canais do evento.

Sobre o Festival Street Art Tour
O Festival Street Art Tour surgiu da parceria entre o Studio de Ideias Produtora Cultural, dos sócios Arturo Valle Junior e Marina Tavares, e o artista urbano Rodrigo Rizo. Desde 2018, o projeto promove a realização de obras de arte urbana em diferentes pontos de Florianópolis.
O festival é viabilizado parcialmente pelo Ministério da Cultura, por meio da Lei Rouanet (Lei nº 8.313/1991), e pela Lei nº 17.942, de 12 de maio de 2020. Segundo a organização, são patrocinadoras Armacell e Hennings; Bistek Supermercados, Condor S/A e C.Pack participam como incentivadoras. O evento também informa apoio de Tintas Coral, MTN, Fundação Cultural de Florianópolis Franklin Cascaes e Prefeitura Municipal de Florianópolis.
Serviço
O quê: 3ª edição do Festival Street Art Tour — “Conexões Lusófonas”
Quando: 1º a 7 de setembro de 2026
Onde: Centro, Córrego Grande, Estreito, Mariquinha, UFSC e outros pontos de Florianópolis
Programação principal no Largo da Alfândega: 5 e 6 de setembro
Shows de sábado (5): MC Versa com Green Tea, Makalister, DJ Belton, Alka, Negro Rudhy, Gustavo Menor e Melly
Shows de domingo (6): Criolo, Amaro Freitas, Dino D’Santiago e Stefanie
Tour guiado: 5 e 6 de setembro, gratuito; horários serão divulgados pela organização
Atividades: murais, exposições, oficinas, Mercado de Arte, live painting, shows e visitas guiadas