Um dos eventos culturais mais tradicionais de Florianópolis, a Festa da Farinhada, será realizada nos dias 12 e 13 de julho no Sítio Vale Encantado, no bairro Rio Tavares. A celebração gratuita resgata a centenária produção artesanal da farinha de mandioca, prática que remonta a 1754 na região.
Aberta ao público, a programação contempla vivências com todas as etapas da produção da farinha — desde a colheita e o descasque do aipim até a prensa e a peneiração —, além de diversas atividades culturais e de lazer, como apresentações de Boi de Mamão, música ao vivo, passeios a cavalo, alimentação de animais e tirolesa. A estrutura do evento contará ainda com uma praça de alimentação organizada com o apoio do Núcleo de Food Trucks da CDL Florianópolis.
A entidade, por meio de seu Núcleo Sul da Ilha, apoia a realização da festa. “O sítio abriga um moinho antigo, reconhecido como patrimônio cultural de Florianópolis, o que torna essa vivência ainda mais especial. É uma oportunidade de manter viva a memória e os saberes passados de geração em geração”, destaca Clovis Dittrich Junior, coordenador de Relações Públicas do Núcleo Sul da Ilha, apoiadora do evento.
Além da programação cultural, os visitantes são incentivados a contribuir com a Campanha do Agasalho AJUDA +, por meio da doação de roupas no local.
Serviço:
- O que: Festa da Farinhada no Sítio Vale Encantado
- Quando: 12 de julho (sábado, das 9h às 18h) e 13 de julho (domingo, das 13h às 18h)
- Onde: Servidão Porto Velho, 630 – Rio Tavares
- Quanto: Gratuito (necessário retirar ingresso online)
Tradição do uso da farinha em Floripa
O uso da farinha é uma das tradições da gastronomia de Florianópolis e está ligada à chegada dos açorianos. Os engenhos de farinha surgiram entre 1748 e 1756. Sem poder cultivar o trigo que plantavam nos Açores, os portugueses conheceram a mandioca e passaram a produzir o alimento triturando a raiz da planta nos engenhos movidos à tração animal.
O produto também recebeu o nome de “farinha de guerra”, em virtude de a Ilha de Santa Catarina ter fornecido o alimento para as tropas aliadas argentinas e uruguaias durante a Guerra do Paraguai, que durou de 1864 a 1870. Nessa época, Florianópolis chegou a ter mais de engenhos, hoje são menos de poucos ativos, segundo levantamento do Cepagro (Centro de Estudos e Promoção da Agricultura de Grupo).
O mais antigo em atividade é o Casarão e Engenho dos Andrade, ponto turístico em Santo Antônio de Lisboa, o mais antigo ainda em funcionamento, cuja edificação remonta a 1860, e tombado pelo patrimônio histórico estadual e pelo patrimônio artístico, histórico e cultural municipal.
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