O primeiro fim de semana do verão (e o último de 2025) marca o início oficial da alta temporada em Florianópolis. Entre os feriados de Natal e Réveillon, a cidade passa por uma transição clara: o fluxo de visitantes aumenta, a agenda cultural se intensifica e o cotidiano ganha ritmo de férias. É quando praias, trilhas, restaurantes e espaços públicos começam a operar no seu modo mais vibrante, antecipando o movimento que se consolida na virada do ano.
Nesse intervalo entre datas festivas, Floripa oferece um cenário interessante tanto para quem chega quanto para quem mora na cidade. Com dias mais longos e temperaturas elevadas, o momento favorece roteiros ao ar livre, deslocamentos pela ilha e experiências que combinam natureza, gastronomia e patrimônio cultural. O desafio, muitas vezes, é escolher por onde começar em uma cidade com tantas possibilidades.
O roteiro a seguir propõe um recorte possível para o sábado e o domingo do primeiro fim de semana do verão. A ideia é percorrer diferentes regiões da ilha, do Centro Histórico ao norte da Ilha, do leste da Ilha ao sul da Ilha, equilibrando passeios urbanos, praias conhecidas, áreas preservadas e bairros históricos que ajudam a contar a história de Florianópolis.
Sábado, 27 de dezembro – Centro Histórico e Norte da Ilha
Manhã – Centro Histórico: cultura e café da manhã manezinho
Comece o sábado explorando o coração cultural de Floripa. Tome o café da manhã no tradicional Mercado Público, ponto de encontro de moradores e turistas no centro da cidade. Experimente o famoso pão com almôndega acompanhado de café na Paradinha do Fernando ou prove um pastel de berbigão em alguma das bancas locais, vivenciando os sabores ilhéus logo cedo. Aproveite para caminhar pelas alas do Mercado e observar as peixarias repletas de frutos do mar fresquíssimos e as barracas de produtos regionais.
A poucos passos dali está a Praça XV de Novembro, onde fica a centenária figueira, símbolo de Florianópolis. Diz a lenda que dar voltas ao redor da figueira traz boa sorte no amor. Em volta da praça, admire a arquitetura histórica: visite a imponente Catedral Metropolitana, com seus altares barrocos e pinturas sacras restauradas, e o Palácio Cruz e Sousa, antigo palacete governamental que hoje abriga o Museu Histórico de Santa Catarina, onde é possível apreciar o novo mural do Centro em homenagem ao poeta Cruz e Sousa. As fachadas coloniais e o calçamento de petit-pavé na Praça XV, desenhado pelo artista Hassis e inspirado nas rendas de bilro e outras tradições da ilha, dão charme ao passeio.

Você ainda pode encontrar pelo caminho feirinhas de artesanato e antiguidades no Centro Histórico. Uma parada interessante é a Casa da Alfândega, edifício histórico que hoje funciona como mercado de artesanato, um ótimo lugar para ver (ou comprar) renda de bilro e lembranças da cultura açoriana. Ali perto, na área do Largo da Alfândega, costuma acontecer ao meio-dia uma roda de samba animada aos sábados, reunindo músicos locais e dando um tom festivo à tarde.
Antes de partir, almoce cedo ou faça um lanche reforçado no próprio Centro. O Mercado Público oferece diversas opções gastronômicas para almoço desde a clássica sequência de camarão até porções de anchova grelhada com pirão de peixe, um prato típico da ilha. Almoçar ali garante energia para seguir rumo às praias. Mas sem pressa: neste sábado, a partir das 11h, ainda tem o Festival I Love Tainha no vão do Mercado com Iriê e Morial Costa, artistas consagrados da cena musical de Floripa fazendo a trilha.
Tarde – Jurerê Internacional e Fortaleza de São José
Siga pela rodovia SC-401 em direção ao norte da Ilha (aproximadamente 25 km do Centro) até Jurerê Internacional, balneário famoso pela infraestrutura e atmosfera sofisticada. Chegando lá após o horário de pico do sol, escolha um ponto na areia clara de Jurerê e curta o mar incrivelmente calmo e cristalino, ideal para banho e esportes aquáticos como stand up paddle ou caiaque. A praia conta com duchas, banheiros, serviço de bar à beira-mar e diversos beach clubs conhecidos por animar a temporada de verão.
Se estiver no clima de festa, considere passar a tarde em um beach club como o Parador P12, que oferecem piscina, DJ e coquetéis à beira-mar, especialmente disputados nesta época do ano. Caso prefira algo mais tranquilo, basta relaxar sob um guarda-sol e observar o movimento: em Jurerê, pessoas jogam frescobol, praticam esportes na água e caminham pela orla entre casas de alto padrão e jardins bem cuidados, cenário que combina luxo e natureza.

No canto esquerdo de Jurerê, uma curta trilha (cerca de 5 a 10 minutos) leva até a Fortaleza de São José da Ponta Grossa, construída no século XVIII no alto de um morro rochoso. Por volta das 16h, suba até a fortaleza para explorar este pedaço da história. Lá no alto, entre antigos canhões e muralhas de pedra, você terá vistas panorâmicas da Baía Norte e da vizinha Ilha de Anhatomirim. A fortaleza, que integrava o sistema defensivo colonial da ilha, está bem preservada e aberta à visitação. A caminhada compensa: além de reviver o passado, o mirante natural oferece um cenário perfeito para fotos no fim da tarde.
Descendo da fortaleza, você já estará na pequena Praia do Forte, uma enseada tranquila logo abaixo. Aproveite para se refrescar com um mergulho rápido nas águas calmas e mornas. Em seguida, faça uma pausa para um lanche tardio ou almoço, caso tenha apenas petiscado mais cedo. Os restaurantes pé-na-areia servem excelentes pratos de frutos do mar. Ostras gratinadas, risoto de camarão, tainha na brasa ou linguado grelhado são boas pedidas, acompanhadas de uma cerveja gelada ou suco natural. O combo de passeio histórico com almoço à beira-mar resume bem Floripa: cultura e natureza em harmonia.
Depois de comer e descansar, prepare-se para o próximo destino. Da Praia do Forte até Santo Antônio de Lisboa são cerca de 20 km, em um trajeto que leva aproximadamente 30 minutos de carro. Saia com tempo para chegar antes do pôr do sol.
Noite – Santo Antônio de Lisboa: pôr do sol açoriano e gastronomia
Chegando a Santo Antônio de Lisboa no final da tarde, você sente imediatamente o clima de vila colonial açoriana: ruas de paralelepípedo, casinhas coloridas do século XVIII, uma igrejinha de frente para o mar e aquela atmosfera tranquila. Estacione o carro e escolha um lugar na orla para assistir a um dos pôr do sol mais instagramáveis de Floripa. Conforme o sol desce atrás das montanhas do continente, o céu ganha tons dourados e rosados que se refletem nas águas calmas da baía, um espetáculo que costuma ser aplaudido por moradores e visitantes.
Para coroar a noite, desfrute de um jantar caprichado em um dos restaurantes à beira-mar do bairro, conhecido como polo gastronômico, especialmente de frutos do mar e ostras frescas. Experimente as ostras cultivadas ali mesmo na baía, servidas in natura, gratinadas com queijo ou empanadas. Se ostras não forem sua praia, a tradicional sequência de camarão é outra aposta certeira, assim como pratos com peixe anchova grelhada e o clássico pirão.

Depois do jantar, faça uma breve caminhada pelas ruazinhas de Santo Antônio. Observe a arquitetura colonial preservada nas antigas casas e ateliês de arte. Se for noite de sábado, é comum encontrar uma feirinha de artesanato na praça em frente à igreja. O bairro mantém um clima acolhedor e romântico à noite. Termine o dia com tranquilidade, curtindo a brisa marinha e talvez um sorvete artesanal ou um café antes de regressar.
Domingo, 28 de dezembro – Leste e Sul da Ilha
Manhã – Leste da Ilha: Lagoa da Conceição, dunas e Praia Mole
Após um sábado intenso, o domingo começa em ritmo mais good vibes. Se estiver disposto, acorde cedo para um visual único: do Mirante do Morro da Lagoa, é possível ver o nascer do sol iluminando a Lagoa da Conceição, as montanhas e o mar ao fundo. Em seguida, siga para a região da Lagoa e tome um café da manhã reforçado. Padarias e cafés descolados não faltam, e o Café Cultura é uma opção conhecida, com expressos, waffles, omeletes e sanduíches.
Com o sol já alto, é hora de curtir as atrações naturais do leste da Ilha. Siga para as dunas da Joaquina, um enorme “deserto” de areia branca situado entre a praia e a lagoa. Chegar cedo ajuda a evitar o calor mais forte. Nas dunas, você pode praticar ou experimentar o sandboard, uma espécie de surfe na areia que diverte aventureiros de todas as idades. Há aluguel de pranchas e instrutores no local. Mesmo sem deslizar, caminhar pelas dunas rende fotos incríveis, com o mar contrastando com a areia clara.

Do outro lado das dunas está a famosa Praia da Joaquina, berço do surfe catarinense. Dê um mergulho rápido nas ondas ou apenas molhe os pés. Em seguida, siga até a Praia Mole, outro ícone do verão florianopolitano. Ponto de encontro da galera jovem e dos surfistas, a Mole tem areias fofas, costões verdes e uma vibe animada. Escolha um quiosque ou um espaço na areia e aproveite o fim da manhã com calma, sentindo a brisa marinha e o astral do verão em Floripa.
Tarde – Sul da Ilha: praia, trilha e almoço com sabor local
Para o almoço de domingo, siga rumo ao sul da Ilha, onde paisagens exuberantes se misturam à forte cultura pesqueira. Saindo do Leste por volta do meio-dia, pegue a rodovia em direção ao Pântano do Sul. O bairro mantém o clima de vila de pescadores, com ambiente rústico e gastronomia açoriana autêntica. Redes de pesca na areia, barcos coloridos e um ritmo mais desacelerado reforçam a sensação de que o tempo passa mais devagar por ali.
Escolha para almoçar o clássico Bar do Arante, o restaurante mais tradicional do Pântano do Sul, conhecido pela comida caseira farta e saborosa. Peça uma sequência de frutos do mar ou um peixe grelhado com pirão e salada. A vista para a praia completa a experiência. Além do Arante, há outras boas opções na região, como o Bar do Vadinho, com seu famoso peixe à dorê, e o Pedacinho do Céu, e seus pasteis insuperáveis, todos valorizando ingredientes locais e o frescor do mar.

Depois do almoço, siga para a Praia do Matadeiro, no bairro vizinho da Armação. O acesso é feito por uma curta trilha a partir da Praia da Armação. Sem circulação de carros, o Matadeiro é um refúgio natural preservado, cercado por morros e vegetação nativa. Em poucos minutos de caminhada, você chega a uma praia selvagem, com bares simples e casas de pescadores. É o lugar ideal para um mergulho, uma pausa na areia ou simplesmente para contemplar a paisagem ao som do mar.
No retorno, faça um pit stop no Mirante do Morro das Pedras, na estrada entre a Armação e o Campeche. Do alto, a vista panorâmica do litoral sul revela as ondas se quebrando ao longo da costa e a Ilha do Campeche no horizonte, um ótimo cenário para fotos de fim de tarde.
Noite – Ribeirão da Ilha: vila histórica, ostras e despedida
Para encerrar o domingo e o roteiro, siga para o Ribeirão da Ilha, no extremo sul-oeste da cidade. Um dos primeiros povoados açorianos de Florianópolis, o bairro preserva ruas de pedra, casario colonial colorido e uma atmosfera que remete a uma pequena vila portuguesa do século XVIII. Caminhar por ali é uma viagem no tempo.
Por volta das 18h, o pôr do sol começa a se refletir nas águas calmas da Baía Sul. Sente-se na praça ou em um deck à beira-mar para apreciar os tons alaranjados no horizonte, enquanto os últimos barcos de ostras retornam ao trapiche. O Ribeirão é referência no cultivo de ostras e na culinária açoriana. Restaurantes renomados, como o Ostradamus, dividem espaço com outras casas tradicionais ao longo da rodovia Baldicero Filomeno, todas com vista para a baía e cardápios focados em peixes, mariscos e receitas locais.
Caminhe sem pressa, absorvendo a herança cultural. Muitas casas exibem placas com o ano de construção, e a iluminação amarela das ruas cria um clima nostálgico à noite. É a despedida ideal de um fim de semana que reúne natureza, história e boa mesa – tudo aquilo que define Floripa no modo verão.

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