Se o Papai Noel resolvesse fixar residência em Florianópolis, o trenó poderia ser trocado por uma canoa de garapuvu. Ele estacionaria perto do mar, sentiria o vento sul no rosto e caminharia devagar, como quem conhece o valor do tempo. O Papai Noel Manezinho segue estilo de vida da Ilha: não tem pressa e contemplação é um dos seus passatempos. Seu saco de presentes é pesado não pelo volume, mas pelo significado. Cada item ali dentro carrega um pedaço da Ilha, da cultura e das tradições açorianas que resistem mesmo com o passar dos anos.
Abrir esse saco é, antes de tudo, um exercício de pertencimento. Dúvida? Continue lendo.
Sabores que carregam memória e afeto
Logo de início, o cheiro denuncia: há mar ali dentro. Ostras, símbolo máximo da gastronomia local, aparecem como protagonistas. Podem vir frescas, até gratinadas congeladas prontas para o preparo ou traduzidas em um convite para sentar à mesa de um restaurante típico no Ribeirão da Ilha, onde o tempo desacelera naturalmente. Junto delas, surgem camarões, peixes preparados do jeito simples que o manezinho conhece bem.
Há também a farinha de mandioca, presença obrigatória nas cozinhas da Ilha e uma tradição representada pelos engenhos ainda em atividade, acompanhando peixe frito, pirão ou aquele almoço no fim de semana em Floripa que nunca termina no horário previsto. As cachaças artesanais catarinenses e os licores de frutas nativas, como butiá e jabuticaba, não aparecem como ostentação, mas como celebração: um gole pequeno, compartilhado, acompanhado de conversa boa.
São presentes que não se consomem sozinhos. Eles exigem mesa, companhia e histórias sendo contadas entre uma garfada e outra.

Artesanato: o tempo transformado em forma
Mais adiante, no saco, surgem os presentes que pedem cuidado ao serem desembrulhados. A renda de bilro, feita com paciência e técnica transmitida de geração em geração, representa muito mais do que um objeto decorativo. É o registro de um saber ancestral, mantido vivo pelas mãos de rendeiras que desafiam o esquecimento.
Ao lado dela, aparecem peças em cerâmica, esculturas, barquinhos e figuras inspiradas no imaginário de Franklin Cascaes. Bruxas, personagens misteriosos e cenas do cotidiano antigo da Ilha emergem como lembrança de um tempo em que as histórias eram passadas de boca em boca.
O Boi de Mamão também marca presença como lembrança e brinquedo que encanta crianças e adultos. Colorido, brincante, quase vivo, é um patrimônio da Ilha carrega a alegria popular e a noção de que tradição não é coisa parada: ela dança, canta e se reinventa com a força dos muitos grupos que se mantém ativos em todos os cantos da cidade.

O jeito manezinho de estar no mundo
Nem só de memória vive o saco de presentes do Papai Noel Manezinho. Há espaço para guardar memórias do cotidiano, para aquilo que define o modo de estar na Ilha. Uma canga estampada com paisagens conhecidas, uma camiseta com expressões típicas, um boné gasto de tanto sol e sal. O chinelo de dedo, companheiro inseparável, aparece quase como símbolo oficial de quem vive entre a rua, a areia e o quintal.
Pode surgir também uma prancha de surfe ou de body-board para dropar nas ondas do Santinho e até de sand-board para deslizar nas dunas da Joaquina. Não como obrigação, mas como convite. Em Florianópolis, o mar e as outras atividades esportivas ao ar livre, como as trilhas, não cobram performance. Pedem respeito e disposição para entrar, nem que seja só para molhar os pés.

Presentes que não se embrulham
Os melhores presentes, no entanto, não cabem no saco. O Papai Noel Manezinho distribui experiências. Um pôr do sol na Lagoa da Conceição, observado em silêncio ou entre risadas. Uma caminhada pela Ponte Hercílio Luz, iluminada, ressignificada como lugar de encontro e contemplação. Uma trilha que termina em praia deserta, onde o som do mar substitui qualquer notificação.
Há também o passeio de barco até a Ilha do Campeche, o café demorado em Santo Antônio de Lisboa, o almoço no melhor estilo (e sabor) manezinho, sem pressa que se estende pela tarde pode até virar jantar. São momentos que não pedem registro imediato, mas presença.

Sons, histórias e noites bem contadas
Para embalar tudo isso, o saco traz música. Canções que falam de mar, vento, amor e pertencimento. Luiz Henrique Rosa e Dazaranha surgem como trilha sonora natural da Ilha. Entre um presente e outro, aparecem livros sobre a história de Florianópolis, registros fotográficos, crônicas e relatos que ajudam a entender como a cidade se construiu entre o continente e o oceano.
E, claro, não faltam as histórias de assombração. Bruxas, aparições e mistérios seguem vivas, especialmente quando a noite cai e alguém decide contar “só mais uma”.

Programação completa: saiba mais sobre o Natal Floripa 2025
Florianópolis já está no clima do Natal desde o dia 19 de novembro, quando a capital deu a largada oficial para as celebrações com o acendimento das luzes, a chegada do Papai Noel e uma série de atrações que transformam o Centro da cidade em um corredor mágico de luz, cor e emoção. Este primeiro momento marcou o início da programação que vai envolver moradores e visitantes em experiências sensoriais, afetivas e culturais.
A proposta da edição deste ano do Natal Floripa “100 Anos de Luz” não é apenas celebrar o espírito natalino, mas também festejar o centenário da Ponte Hercílio Luz, que acontece em maio de 2026.

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