Walmor Corrêa reúne mais de 40 esculturas de criaturas híbridas em exposição inédita

Mostra “Assim é (se lhe parece)” abre em 11 de novembro, na A.Galeria, com obras que combinam elementos animais, vegetais e humanos; primeira exposição do artista dedicada à

Gansos e flamingos com cabeças de cachorro, uma tartaruga com características de coelho, flores com lábios e línguas e plantas que assumem proporções humanas estão entre as criaturas que integram a nova exposição do artista catarinense Walmor Corrêa. A mostra “Assim é (se lhe parece)” abre em 11 de novembro, às 19h, na A.Galeria, localizada no Passeio Primavera, em Florianópolis. Com mais de 40 esculturas, a maioria produzida especialmente para a ocasião, a exposição marca a primeira vez em que o artista apresenta um conjunto inteiramente dedicado à linguagem escultórica. A visitação segue até 30 de abril de 2027.

Natural de Florianópolis e radicado em São Paulo, Walmor Corrêa desenvolve uma trajetória artística marcada pela investigação das relações entre ciência, natureza e imaginação. Conhecido por criar organismos fictícios a partir de referências da anatomia, da botânica, da zoologia e da taxidermia, o artista utiliza procedimentos visuais associados à documentação científica para dar aparência de realidade a seres inexistentes. Na nova exposição, essa pesquisa se materializa em esculturas que exploram a combinação de espécies, a transformação de estruturas anatômicas e a criação de novas possibilidades de representação da vida.

O conjunto reúne trabalhos realizados entre 2007 e 2026, com predominância de peças concebidas para a exposição. Além das esculturas de animais e plantas híbridas, o público encontrará obras em bronze dourado, bancos que incorporam formas de criaturas imaginárias e um diorama. Entre as representações estão pássaros com bicos de formatos incomuns, uma espada-de-são-jorge em escala humana e espécies vegetais que recebem características do corpo humano. As diferentes soluções formais ampliam uma investigação que, até então, havia encontrado no desenho e em outras linguagens parte importante de sua expressão.

Foto: Divulgação

A exposição tem curadoria de Marc Pottier e coordenação geral de Sandra Makowiecky. O título, “Assim é (se lhe parece)”, faz referência à peça do dramaturgo italiano Luigi Pirandello, que aborda a relatividade da verdade a partir de versões contraditórias de uma mesma história. Na produção de Walmor Corrêa, essa discussão se manifesta por meio de criaturas que desafiam as classificações convencionais da natureza. Embora biologicamente impossíveis, os organismos apresentam características reconhecíveis, construindo uma relação de proximidade entre aquilo que o observador identifica e o que não encontra correspondência no mundo natural.

A proposta também estabelece conexões com diferentes períodos da história da arte, especialmente com as representações de criaturas mitológicas, seres fantásticos e organismos imaginários. Das figuras híbridas presentes em narrativas antigas às experimentações surrealistas, a combinação de elementos humanos, animais e vegetais constitui um recurso recorrente de criação artística. Walmor retoma essa tradição por meio de uma linguagem que aproxima o rigor da representação anatômica da liberdade de invenção, produzindo figuras que transitam entre o familiar e o extraordinário.

Outro aspecto da exposição é a presença de referências ao imaginário popular brasileiro. Espécies vegetais associadas à medicina tradicional, às crenças e às práticas religiosas aparecem reinterpretadas em esculturas que articulam características botânicas e significados culturais. É o caso da espada-de-são-jorge, planta amplamente conhecida por suas associações simbólicas, que ganha uma nova configuração na produção do artista. Expressões populares e jogos de linguagem também orientam obras inspiradas na pimenta dedo-de-moça e na flor-do-beijo, nas quais os nomes das espécies são explorados como possibilidades de transformação visual.

A investigação de Walmor Corrêa também dialoga com a tradição dos registros produzidos por viajantes e naturalistas que percorreram o território brasileiro e documentaram espécies desconhecidas pela ciência europeia. Ilustrações botânicas, estudos zoológicos e descrições anatômicas constituem referências para a construção de organismos que não existem na natureza, mas são apresentados com detalhes que remetem aos métodos científicos de observação e classificação. Ao incorporar esses elementos à escultura, o artista aproxima os campos da pesquisa científica e da criação artística, questionando a maneira como imagens e informações contribuem para a percepção do que é considerado real.

As obras também permitem uma leitura sobre as relações entre os seres humanos e o ambiente natural. Ao reunir características de diferentes espécies em um único organismo, o artista coloca em evidência as conexões entre formas de vida que habitualmente são classificadas de maneira separada. A metamorfose, presente em diferentes trabalhos, funciona como um recurso para abordar a interdependência entre os organismos e as transformações ambientais contemporâneas. O humor e a fantasia atravessam essa abordagem, sem afastar as esculturas das questões relacionadas à natureza e à atuação humana sobre o meio ambiente.

Foto: Divulgação

Mostra marca nova etapa na produção do artista

Embora a escultura já integrasse a trajetória de Walmor Corrêa, “Assim é (se lhe parece)” representa sua primeira exposição inteiramente voltada a essa linguagem. A reunião de trabalhos produzidos ao longo de quase duas décadas, associada às peças desenvolvidas especialmente para a mostra, permite observar diferentes momentos de sua pesquisa sobre a criação de organismos híbridos e a representação de anatomias imaginárias.

A dimensão tridimensional também modifica a relação do público com as criaturas concebidas pelo artista. Elementos que remetem às ilustrações científicas passam a ocupar o espaço expositivo como objetos, com volumes, proporções e materiais próprios. Essa mudança amplia as possibilidades de observação das formas inventadas e estabelece novas relações entre as características reconhecíveis de animais e plantas e as alterações anatômicas propostas em cada trabalho.

Esta será a sétima exposição de Walmor Corrêa na A.Galeria, espaço cultural instalado no Passeio Primavera, empreendimento da Hurbana, às margens da SC-401, em Florianópolis. Integrada à programação cultural do complexo, a galeria recebe exposições de arte contemporânea e promove o contato do público com diferentes linguagens e produções artísticas.

Com abertura marcada para 11 de novembro de 2026, “Assim é (se lhe parece)” permanecerá em cartaz até 30 de abril de 2027. A exposição reúne um panorama da investigação de Walmor Corrêa sobre os limites entre ciência e imaginação, agora concentrada na escultura, com obras que combinam referências da natureza, da cultura popular e da história da arte.

Foto: Divulgação

Serviço

Exposição: Assim é (se lhe parece)
Artista: Walmor Corrêa
Curadoria: Marc Pottier
Coordenação geral: Sandra Makowiecky
Abertura: 11 de novembro de 2026 (quarta-feira), às 19h
Visitação: até 30 de abril de 2027
Local: A.Galeria — Passeio Cultural Primavera
Endereço: SC-401, nº 4100, Florianópolis (SC)

Locais Citados

A.Galeria
Passeio Primavera

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