Florianópolis está entre os destinos brasileiros já comercializados no mercado internacional por empresas que atuam com o público LGBTQIA+. A capital catarinense foi citada por 26,09% dos participantes de uma pesquisa inédita realizada pela Embratur com associados da International LGBTQ+ Travel Association (IGLTA). O levantamento também aponta espaço para ampliar a presença do Brasil neste segmento: 72,73% das empresas participantes afirmaram que pretendem apresentar o país como destino para viajantes LGBTQIA+.
A sondagem ouviu 34 participantes associados à IGLTA e avaliou o perfil das empresas, a relação comercial com o Brasil, o interesse pelo país, as experiências com potencial de comercialização e os principais desafios encontrados pelo trade turístico.
Entre as empresas participantes que já comercializam destinos brasileiros, o Rio de Janeiro lidera, citado por 95,65%. São Paulo aparece na sequência, com 73,91%, e Foz do Iguaçu, com 47,83%. Manaus registra 39,13%; Recife e Salvador, 34,78% cada; e Fernando de Noronha, 30,43%. Florianópolis, Fortaleza e Gramado aparecem com 26,09% cada.
Os resultados indicam, porém, que a participação brasileira nos negócios dessas empresas ainda é limitada. Para 69,57% dos respondentes, o Brasil representa até 20% do volume total de vendas. Outros 17,39% informaram que o país corresponde a uma parcela entre 21% e 40% dos negócios. Ao mesmo tempo, há interesse na busca por informações sobre o destino. Entre os participantes, 39,13% disseram pesquisar frequentemente sobre o Brasil, enquanto 17,39% afirmaram fazer isso com muita frequência.
Empresas demonstram interesse em ampliar oferta do Brasil
O levantamento mostra potencial para o crescimento do país no turismo LGBTQIA+. Segundo a pesquisa, 72,73% das empresas participantes pretendem apresentar o Brasil como destino para esse público. Entre as experiências consideradas mais atrativas estão o Carnaval LGBTQIA+, citado por 78,26% dos participantes, seguido por bares, festas e vida noturna, com 65,22%, e praias e destinos de descanso, com 60,87%.
O perfil de Florianópolis, que combina praias e opções de entretenimento e vida noturna, coincide, portanto, com categorias de experiências apontadas entre as de maior interesse na pesquisa. O levantamento, no entanto, não apresenta dados específicos sobre a procura por esses produtos na capital catarinense.
A sondagem também indica oportunidades de comercialização para além dos segmentos tradicionalmente associados ao turismo LGBTQIA+. Quando questionadas sobre as experiências que poderiam levá-las a incluir o Brasil em seus portfólios, 81,82% das empresas apontaram os roteiros histórico-culturais. Os roteiros de luxo foram mencionados por 63,64%, enquanto ecoturismo e aventura e experiências gastronômicas receberam 54,55% das respostas cada.
Conhecimento sobre destinos ainda é desafio
Apesar do interesse, a falta de conhecimento sobre os destinos brasileiros ainda representa uma barreira para transformar a intenção em vendas. Metade dos participantes, 50%, apontou o pouco conhecimento sobre os destinos como um dos desafios para a comercialização do Brasil. Questões políticas ou sociais foram mencionadas por 41,18%.
A percepção sobre o acolhimento oferecido pelo país também integrou a pesquisa. Entre os participantes, 44,12% consideram o Brasil um destino acolhedor para viajantes LGBTQIA+, enquanto 20,59% o classificam como muito acolhedor.
Para reduzir as barreiras de comercialização, 76,47% dos respondentes apontaram famtours e press trips como iniciativas capazes de aproximar o mercado internacional dos destinos brasileiros. O mapeamento de serviços especializados no atendimento ao público LGBTQIA+ foi citado por 55,88%, e a ampliação da oferta de informações sobre os destinos, por 52,94%.
Segundo o presidente da Embratur, Bruno Reis, o levantamento permitirá direcionar estratégias de promoção, capacitação e relacionamento com o mercado. “Mais do que compreendermos o interesse pelo Brasil, a inteligência de mercado nos mostra o que precisamos fazer para transformar esse interesse em viagens. A sondagem aponta oportunidades concretas: temos empresas que querem conhecer melhor nossos destinos, produtos e experiências”, afirmou.
Para o gerente de Membros da IGLTA para América do Sul e Portugal, Clovis Casemiro, o percentual de empresas interessadas em incluir o Brasil em seus portfólios demonstra o potencial do país no segmento. “Com mais de 72% das empresas do setor planejando incluir o Brasil em seus portfólios, a parceria entre a Embratur e a IGLTA é decisiva para estruturar e qualificar a promoção dos nossos eventos, superando o desconhecimento do mercado e transformando esse grande interesse internacional em vendas e viagens concretas”.
A Embratur pretende utilizar os resultados para orientar ações de promoção, capacitação e relacionamento com o mercado internacional. A proposta é também transformar a sondagem, realizada em parceria com a IGLTA, em uma iniciativa permanente para acompanhar as mudanças no mercado e identificar oportunidades para ampliar a comercialização das experiências brasileiras no turismo LGBTQIA+ internacional.

Pesquisa em números
Veja os principais dados do levantamento da Embratur com associados da IGLTA:
- 26,09% das empresas participantes que já comercializam destinos brasileiros citaram Florianópolis entre os destinos vendidos;
- 95,65% citaram o Rio de Janeiro, destino brasileiro mais comercializado entre os participantes;
- 73,91% comercializam São Paulo e 47,83%, Foz do Iguaçu;
- 69,57% afirmaram que o Brasil representa até 20% do volume total de vendas;
- 72,73% pretendem apresentar o Brasil como destino para o público LGBTQIA+;
- 78,26% consideram o Carnaval LGBTQIA+ uma experiência atrativa;
- 65,22% apontaram bares, festas e vida noturna entre as experiências de interesse;
- 60,87% destacaram praias e destinos de descanso;
- 81,82% disseram que roteiros histórico-culturais são experiências que poderiam levá-los a incluir o Brasil em seus portfólios;
- 63,64% indicaram interesse em roteiros de luxo;
- 54,55% apontaram ecoturismo e aventura, mesmo percentual registrado por experiências gastronômicas;
- 44,12% consideram o Brasil um destino acolhedor para viajantes LGBTQIA+ e 20,59%, muito acolhedor;
- 50% apontaram o pouco conhecimento sobre os destinos brasileiros como um dos desafios para a comercialização;
- 41,18% citaram questões políticas ou sociais como desafio;
- 76,47% apontaram famtours e press trips como ações capazes de contribuir para a comercialização;
- 55,88% indicaram a importância do mapeamento de serviços especializados no atendimento ao público LGBTQIA+;
- 52,94% defenderam a ampliação da oferta de informações sobre os destinos brasileiros.
