Alexandre Gonçalves lança o livro “Meu Encarte – Letras de música que vivem no papel e na memória”, obra que reúne pela primeira vez sua produção autoral iniciada ainda na adolescência, nos anos 1980. Natural de Florianópolis, Alexandre é jornalista, consultor e, nas horas vagas, compositor. Escreve letras de música desde a adolescência e, ao longo desse período, acumulou composições inspiradas pelo cotidiano, pelas relações humanas, pelo mar, pela memória, por Florianópolis, pelo amor, pelas perdas e pelos recomeços. “A música nunca foi encarada como projeto de carreira profissional, mas como outra maneira de contar histórias e compreender o mundo”, diz o autor.
O título do livro recupera uma experiência que marcou a formação musical do autor: o fascínio pelos encartes que acompanhavam os discos de vinil. Nos anos 1980, frequentando lojas de discos de Florianópolis como Brunetti e Discolândia, Alexandre não queria apenas ouvir os LPs. Gostava de acompanhar as letras, observar fotografias, descobrir os nomes dos músicos, ler agradecimentos e créditos e procurar as pequenas pistas deixadas pelos artistas.
“O encarte transformava a audição em experiência completa. Não bastava ouvir. Era preciso ler, observar, imaginar”, escreve Alexandre na abertura do livro. A relação afetiva com aquele objeto ajuda a explicar a escolha do título e a própria proposta da publicação. “Depois de passar boa parte da vida lendo os encartes dos outros, chegou a hora de fazer o meu, o Meu Encarte”, brinca.
“Meu Encarte” reúne 75 letras escritas ao longo de quase 40 anos. Vistas em conjunto, elas formam o que Alexandre define como uma espécie de “autobiografia involuntária”, atravessando diferentes fases, sentimentos e experiências de sua trajetória. As composições nunca nasceram da intenção de construir uma carreira musical. Para explicar o papel que tiveram em sua vida, Alexandre criou outra definição: “música de subsistência”. “Não no sentido financeiro. Nunca pagou contas. Mas ajudou a pagar outros ‘boletos’: os da solidão, das perdas, das inquietações, das revoltas silenciosas e das perguntas sem resposta”, escreve.
Por isso, “Meu Encarte” percorre temas variados. Há letras sobre paixões adolescentes, amores platônicos, relações duradouras, separações e reencontros. Outras abordam amizade, saudade, pertencimento, humor, indignação e as transformações provocadas pela passagem dos anos. “O tempo, aliás, talvez seja o personagem mais recorrente deste livro”, observa Alexandre.
Embora as composições tenham melodias — geralmente folks, rocks e baladas, mas também reggaes, valsas e até sambas — o livro não identifica os estilos de cada uma. A intenção é deixar espaço para a imaginação de quem lê. “Acredito que as palavras também possam se fazer entender sozinhas”, explica o autor.
Ao revisitar esse material aos 53 anos, Alexandre também reencontra diferentes versões de si mesmo. “Uma letra composta aos vinte anos é relida aos cinquenta com outros olhos”, analisa. É dessa perspectiva que o autor define o conjunto não apenas como a trajetória de um compositor amador, mas como “a história de alguém e sua própria trilha sonora”.
Serviço
O quê: Lançamento do livro“Meu Encarte – Letras de música que vivem no papel e na memória”, de Alexandre Gonçalves, com venda do livro e noite de autógrafos.
Quando: 5 de novembro, às 19h
Onde: Fundação Badesc, Centro de Florianópolis
Criação e execução: Papel Bonito
Apoio: Rifferama e Fundação Cultural Badesc