Novo mural de Cruz e Sousa ocupa fachada lateral de prédio no Centro

Painel assinado por Rodrigo Rizo substitui obra apagada em 2024 e traz releitura colorida da trajetória do poeta catarinense.

O poeta João da Cruz e Sousa voltou a ganhar destaque no Centro de Florianópolis, agora em novo endereço e com uma proposta artística renovada. Intitulado “Cruz e Sousa – poesia que liberta, liberdade que transcende”, o novo mural começou a ser executado na parede lateral do Edifício Berenhauser, voltada para o jardim do Museu Histórico de Santa Catarina – Palácio Cruz e Sousa, espaço que preserva o nome e a memória do escritor catarinense.

A obra é assinada pelo artista Rodrigo Rizo e integra o projeto Street Art Tour, com patrocínio da Axia Energia. O painel ocupa cerca de 700 m² substitui uma versão anterior, também de Rizo, que havia se tornado um dos símbolos visuais da região central. O mural antigo, localizado em um edifício ao lado do Palácio, foi apagado em agosto de 2024. A remoção ocorreu porque a parede do prédio apresentava fissuras e infiltrações, exigindo manutenção.

Desta vez, além da mudança de endereço, há uma mudança clara de linguagem. O painel anterior tinha o título “Cisne Negro” e era feito em preto e branco. A nova pintura é colorida e traz uma releitura visual da trajetória de Cruz e Sousa, com elementos simbólicos que ampliam a narrativa sobre sua vida e obra. Entre os ícones citados por Rizo estão caneta pena, papéis em voo, locomotiva, cavalos, lua e nuvens.

Ao reposicionar a homenagem na lateral do Berenhauser, voltada ao jardim do museu que leva o nome do poeta, o projeto também reforça a conexão entre arte urbana e patrimônio histórico, reativando a presença de Cruz e Sousa na paisagem cotidiana da cidade.

Quem foi Cruz e Sousa

João da Cruz e Sousa (1861–1898) foi poeta, jornalista e professor, reconhecido como o introdutor do Simbolismo no Brasil. Nasceu em Desterro (atual Florianópolis), filho de escravos alforriados, e recebeu formação intelectual desde cedo. Ainda jovem, participou de círculos literários locais e fundou jornais como “Colombo” e “Tribuna Popular”, além de dirigir o semanário “O Moleque”, onde publicou textos combativos, enfrentando o preconceito racial de sua época.

Em 1893, lançou “Missal” e “Broquéis”, obras que causaram impacto e consolidaram sua originalidade. Apelidado de “Cisne Negro” e também chamado de “Dante Negro”, viveu entre dificuldades materiais, exclusões e perdas familiares. Morreu de tuberculose em 19 de março de 1898. Após sua morte, vieram publicações como “Evocações”, “Faróis” e “Últimos Sonetos”. Em 26 de novembro de 2007, seus restos mortais foram trasladados para Florianópolis e hoje estão depositados em urna exposta à visitação no Museu Histórico de Santa Catarina (Palácio Cruz e Sousa).

Sua poesia é marcada por musicalidade, imagens sensoriais e simbolismos, com forte presença de temas como transcendência, espiritualidade e tensão emocional, características que ajudaram a inaugurar, no país, uma nova forma de expressão literária.

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Foto: Divulgação Street Art Tour

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