Minha cidade também vou cantar: Floripa na obra de Luiz Henrique da Rosa

Montamos um roteiro a partir de músicas do cantor e compositor para inspirar e guiar um passeio pela cidade. Ele faria 87 anos neste dia 25 de novembro.

“Todos cantam sua terra, também a minha vou cantar.” O verso de “Florianópolis”, música composta e eternizada na voz de Luiz Henrique Rosa, que faria 87 anos neste dia 25 de novembro, ajuda a entender a relação do cantor e compositor pela cidade que adotou como sua. Pensando nisso, e como forma de homenagear Luiz Henrique, sempre lembrado e celebrado, montamos um roteiro a partir de seis músicas compostas por ele. Além de “Florianópolis”, escolhemos “Itaguaçu”, “Ponte “Hercílio Luz”, “Ilha Azul”, “Minha Lagoa” e “Sonhar” para inspirar e guiar um passeio pela cidade e oferecer uma experiência sensível de contato com Floripa através da música.

Cada parada revela um lugar onde a obra de Luiz Henrique se entrelaça com a identidade de Florianópolis, convidando o público a redescobrir a capital catarinense com outros olhos e ouvidos. Por isso, nunca é demais ouvir Luiz Henrique Rosa e curtir diferentes lugares de Floripa e não é por falta de motivo. Que este roteiro seja mais um.

Um roteiro para conhecer Florianópolis pelas canções de Luiz Henrique Rosa

“Florianópolis”: o início de uma viagem emocional

O ponto de partida é o Centro Histórico, onde tradição e vida urbana convivem entre a Praça XV, a Catedral Metropolitana e o casario colonial. A música “Florianópolis” ecoa como uma introdução afetiva: na letra, Luiz Henrique canta as praias, as matas, a ilha e o mar, um retrato poético que antecipa a jornada.

Aqui vale dedicar um momento ao passeio à beira da baía e ao intrincado desenho das ruas mais antigas, para perceber como o cenário real reforça o que é cantado. É o território onde o compositor fez morada e ele se mudou para Florianópolis ainda jovem.

Calçadão da Felipe Schmidt
Foto: Alexandre Gonçalves / Floripa.com

“Itaguaçu”: onde o mar guarda memórias

Do centro, o roteiro segue até Itaguaçu, no continente, um bairro de litoral marcado por pedras, lendas e calmaria à beira‑mar. A canção “Itaguaçu” encontra ali seu cenário natural, evocando noites tranquilas, estrelas refletidas na água e o silêncio da baía.

Ao caminhar pelas pedras ou sentar-se à beira da água, pode‑se imaginar a serenidade que inspirou o compositor. Vale ainda observar que a região mantêm viva a relação da comunidade com o mar, a mesma relação que transparece na música, mais para contemplação nas caminhadas pela orla e pelas mudanças que fazem de Itaguaçu um dos pontos de referência na gastronomia da cidade.

Assista ao vídeo de “Itaguaçu”, gravado em 1981 na praia situada na parte continental de Florianópolis.

“Ponte Hercílio Luz”: conexão entre margens e histórias

A próxima parada é a imponente Ponte Hercílio Luz, símbolo maior de Florianópolis. Em sua canção homônima, Luiz Henrique descreve a ponte como elo entre espaços e tempos, sempre presente no imaginário da cidade.

Atravessá‑la ou observá‑la de sua cabeceira insular permite entender a força do símbolo: uma estrutura centenária que uniu ilha e continente, facilitou o crescimento urbano e se tornou marca identitária. Aproveite para contemplar o pôr do sol sobre a baía, momento em que a ponte realmente aparece como eixo visual e emocional.

Aniversário da Ponte Hercílio Luz
Foto: Ricardo Wolffenbüttel / Divulgação SECOM Gov SC

“Ilha Azul”: Florianópolis em tons de céu e mar

No alto do Mirante do Morro da Cruz, a vista panorâmica revela Florianópolis em azul, exatamente o tom que a música “Ilha Azul” propõe. Mesmo sem mencionar locais específicos, a composição captura leveza, amplitude e harmonia.

Do mirante, observa‑se o conjunto da cidade‑ilha: o mar, os morros, as baías e a arquitetura. Esta visão amplia a percepção: não é só o local, é o “todo” que inspirou Luiz Henrique. Um bom momento para manter silêncio, escutar a canção e deixar que o “azul” da paisagem fale por si.

destinos mais buscados por estrangeiros
Foto: Divulgação PMF

“Minha Lagoa”: calmaria e reflexo na paisagem

A penúltima parada é a Lagoa da Conceição, cenário perfeito para a música “Minha Lagoa”. Bares, restaurantes, cafés ao redor, trapiches, barcos ancorados e o reflexo tranquilo da água compõem o universo que o compositor descreve.

Além de apreciar a paisagem, vale caminhar pelas margens, observar a vida local, apreciar o camarão frito, como Luiz Henrique cita na música, e sentir como o lugar se transforma ao cair da tarde. A luz suave junto à lagoa cria atmosfera introspectiva, tal como a letra enfatiza.

lagoa da conceição
Foto: Allan Carvalho / Divulgação PMF

“Sonhar”: o retorno ao centro em tom de poesia

O roteiro retorna ao centro da cidade com a música “Sonhar”, que encerra o percurso com reflexão e continuidade. Assim como o título sugere, visitar Florianópolis por meio da obra de Luiz Henrique Rosa é também sonhar com ela com suas paisagens, histórias e melodias.

A dica é finalizar o passeio junto à orla da baía ou em um café ou bar do centro, escutando a canção e olhando para a cidade que se movimenta, respira e segue viva. É o momento de perceber que o encontro entre música e lugar deixa marcas no ouvido e na memória.

luiz henique rosa
Foto: Reprodução

Quem foi Luiz Henrique Rosa

Nascido em Tubarão, mas manezinho de coração, Luiz Henrique Rosa foi um personagem importante na música brasileira nos anos 60, participando do movimento da bossa nova no Rio de Janeiro na primeira metade da década. Nos Estados Unidos, o artista conviveu e tocou com João Gilberto, Stan Getz, Sivuca, Hermeto Pascoal, Oscar Brown Jr., Liza Minelli, Walter Wanderley e o também catarinense Airto Moreira. Os discos gravados nessa época foram lançados pela icônica gravadora Verve em países como Alemanha, França, Inglaterra, Itália, Japão, entre outros.

Em 1971, o cantor e compositor voltou a morar em Florianópolis, onde continuou fazendo shows e promovendo a cultura local, inclusive como apresentador de TV. Em 1976, criou uma gravadora independente, a Itagra, e lançou Mestiço, que é um marco na sua carreira pelos arranjos sofisticados, como na progressiva “Jandira”, e a participação de músicos como o pianista Tenório Jr., o baixista Luizão Maia, os bateristas Edison Machado e Paulo Braga e outros grandes instrumentistas da música brasileira. A capa foi assinada pelo artista plástico Hassis (1926-2001), conhecido pelo piso petit pavé que representa elementos da cultura ilhéu como rendas de bilro e boi de mamão.

No ano de 1979, Luiz Henrique Rosa causou um grande agito na então pacata capital catarinense, quando trouxe a amiga Liza Minelli para seis dias de férias após uma turnê da cantora e atriz no eixo Rio-São Paulo. O artista faleceu aos 46 anos de idade em um acidente de carro em 9 de julho de 1985, em Florianópolis, na rua Deputado Antônio Edu Vieira, entre os bairros Pantanal e Saco dos Limões, após o expediente no extinto Armazém Vieira, onde era gerente.

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