A trajetória das mulheres que ajudaram a construir e transformar o samba brasileiro será celebrada no espetáculo “Mulheres do Samba”, da Orquestra Brasileira, no dia 29 de outubro, no Teatro Ademir Rosa (CIC), em Florianópolis. O concerto reúne as cantoras Bárbara Damásio, Camélia Martins, Juliana D Passos e Jandira Souza em uma viagem por cerca de um século de história do gênero.
O repertório parte da contribuição de mulheres que conquistaram espaço em um universo durante muito tempo predominantemente masculino. Entre as homenageadas estão Dona Ivone Lara e Leci Brandão, compositoras que se tornaram referências do samba brasileiro, além de intérpretes que marcaram diferentes gerações, como Beth Carvalho, Alcione, Elis Regina e Clara Nunes.
Com direção artística, arranjos e piano de Luiz Gustavo Zago, o espetáculo propõe mais do que uma sequência de grandes sucessos. A apresentação percorre diferentes manifestações e vertentes do gênero, passando pelo samba de roda, partido-alto e pagode, além de abordar elementos ligados ao sincretismo religioso e às diversas influências que contribuíram para a formação do samba.
Das rodas de samba aos grandes palcos
A proposta do concerto estabelece uma conexão entre a história do samba e a presença feminina em sua construção. O percurso tem como uma de suas referências as rodas realizadas na casa de Tia Ciata, figura fundamental para a história do gênero no Rio de Janeiro, e avança pelas gerações de compositoras e intérpretes que ampliaram o protagonismo feminino na música brasileira.
Ao revisitar esse repertório, a Orquestra Brasileira procura destacar tanto a contribuição das compositoras quanto das grandes intérpretes. Dona Ivone Lara e Leci Brandão representam, no espetáculo, mulheres que romperam barreiras ao ocupar espaços de criação e composição, enquanto nomes como Beth Carvalho, Alcione, Elis Regina e Clara Nunes representam diferentes formas de interpretar e popularizar o samba.
As canções ganham arranjos de Luiz Gustavo Zago especialmente concebidos para a formação da Orquestra Brasileira e para o encontro com as quatro cantoras convidadas.
Formação une instrumentos populares e linguagem orquestral
A Orquestra Brasileira foi criada com a proposta de reunir instrumentos característicos da música popular brasileira dentro de uma estrutura de trabalho inspirada nas orquestras clássicas.
A formação inclui violões de seis e sete cordas, bandolim, cavaquinho, flauta, clarinete e percussão, além de acordeom, piano, contrabaixo e bateria. Ao mesmo tempo, o grupo trabalha a partir de partituras, organização por naipes e coordenação das famílias de instrumentos, incorporando procedimentos tradicionalmente associados à prática orquestral.
À frente do projeto está Luiz Gustavo Zago, responsável pela direção artística, piano e arranjos. O trabalho do músico tem como um de seus eixos a aproximação entre os universos erudito e popular, incorporando elementos da música brasileira à formação orquestral.
No palco do CIC, essa proposta será aplicada a um repertório diretamente ligado à identidade musical brasileira. A intenção é mostrar diferentes faces do samba e, ao mesmo tempo, colocar em evidência as mulheres que ajudaram a transformar o gênero e fizeram suas músicas atravessarem gerações.
Serviço
Mulheres do Samba — Orquestra Brasileira
Data: 29 de outubro, quinta-feira
Local: Teatro Ademir Rosa (CIC) — Florianópolis/SC
Intérpretes: Bárbara Damásio, Camélia Martins, Juliana D Passos e Jandira Souza
Ingressos: BlueTicket
Orquestra Brasileira: Luiz Gustavo Zago (piano e regência), Ana Luísa Remor (flauta), Elio Vistel (flauta e sax), Lucas Moretto Martinez (bandolim), Duh Romão (cavaco), Eduardo Pimentel e Igor Ishikawa (violões), Filipe Müller (violão de sete cordas), Marcelo Besen (acordeon), Tie Pereira (contrabaixo), Richard Montano (bateria) e Alexandre Damaria (percussão).
Ficha técnica: arranjos de Luiz Gustavo Zago; produção executiva de Luanda Wilk; assistência de produção de Eduardo Ferreira; direção de palco de Juliano Parreira; técnico de P.A. Rafael Pfleger; fotos de Toia Oliveira; iluminação cênica de Alisson Coelho.