Florianópolis ganha trilha de 95 km que atravessa a Ilha de Norte a Sul

Percurso entre a Caieira da Barra do Sul e Canasvieiras conecta praias, caminhos históricos e dez unidades de conservação da Capital catarinense.

Florianópolis passa a contar com uma trilha de longo curso de 95,2 quilômetros que atravessa a Ilha de Santa Catarina de Sul a Norte. Batizado de Caminho da Ilha de Santa Catarina (CAISCA), o percurso começa na Caieira da Barra do Sul e termina na Praia de Canasvieiras, podendo ser realizado também no sentido inverso. A criação da rota foi oficializada pela Prefeitura na terça-feira (20/10), por meio do Decreto nº 29.806.

A nova trilha reúne caminhos históricos, praias e trechos já utilizados por moradores, pescadores e visitantes. Ao longo do trajeto, os trilheiros passam por diferentes paisagens, desde faixas de areia ao nível do mar até morros que chegam a 232 metros de altitude. Entre os caminhos que integram a rota estão o Caminho dos Naufragados, a trilha da Boa Vista e a Trilha do Morro do Rapa.

O percurso atravessa dez unidades de conservação, incluindo o Parque Natural Municipal da Lagoinha do Leste, o Monumento Natural Municipal da Lagoa do Peri, o Parque Estadual do Rio Vermelho e o Monumento Natural Municipal da Galheta. A formalização conecta essas áreas em um único roteiro, com regras de conservação e planejamento de manejo.

Percurso completo da trilha CAISCA
Percurso completo da trilha. Arte: Divulgação/PMF

A criação do CAISCA é resultado de um processo de planejamento iniciado há cerca de uma década. As primeiras discussões ocorreram entre 2016 e 2018, com a participação de órgãos públicos, instituições de ensino e organizações ligadas ao meio ambiente e ao turismo. Após a retomada do projeto em 2024, foram realizadas novas vistorias para verificar e georreferenciar os trechos. Em 2025, as atividades tiveram acompanhamento do Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA), responsável pela coordenação estadual da Rede Brasileira de Trilhas de Longo Curso.

“O CAISCA une em um só caminho trilhas que moradores e pescadores percorrem há gerações”, afirma o secretário municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Luís Felipe Kronbauer. “Com o decreto, esses percursos passam a ter proteção formal, manejo planejado e uma identidade própria, que valoriza o patrimônio natural e cultural de Florianópolis”, diz.

Com a formalização da trilha, o decreto estabelece regras para a utilização dos caminhos e a proteção dos ambientes naturais. Entre as proibições estão a coleta ou captura de espécies nativas da fauna e da flora, a alimentação de animais silvestres, o descarte irregular de resíduos e a danificação de placas e equipamentos de sinalização.

Também não será permitido modificar o traçado das trilhas, instalar estruturas sem autorização ou acessar áreas restritas. Os visitantes deverão respeitar as normas específicas e os planos de manejo das unidades de conservação atravessadas pelo percurso.

Caminho da Ilha de Santa Catarina
Trilha do Morro do Rapa, no Norte da Ilha. Foto: Andy Puerari / Divulgação PMF

Trilha passa por áreas de Mata Atlântica e sítios históricos

O caminho atravessa ambientes de Mata Atlântica, incluindo florestas, restingas e áreas próximas a manguezais. Atualmente, cerca de 41% da área terrestre de Florianópolis está protegida por unidades de conservação.

Além da diversidade de paisagens, a rota oferece oportunidades para observação da fauna. A Ilha de Santa Catarina registra aproximadamente 400 espécies de aves. Entre julho e novembro, também é possível avistar baleias-francas-austrais em determinados pontos do litoral. O trajeto inclui ainda áreas de interesse histórico e arqueológico. A presença humana na Ilha é documentada há pelo menos 5 mil anos, com registros preservados em sambaquis, inscrições rupestres e oficinas líticas.

A extensão de 95,2 quilômetros faz com que a travessia integral seja planejada para vários dias, com necessidade de pernoites ao longo do caminho. A circulação de caminhantes poderá ampliar a procura por hospedagem, alimentação e serviços de condução nas comunidades próximas à rota.

Localidades como Caieira da Barra do Sul, Pântano do Sul, Armação, Campeche, Barra da Lagoa e Ingleses estão entre as regiões que poderão receber visitantes durante a travessia. A permanência dos turistas por mais de um dia também poderá favorecer pequenos negócios e prestadores de serviços ligados ao turismo. A iniciativa está relacionada à Política Municipal de Turismo de Base Comunitária, instituída pela Lei nº 11.457/2025, que prevê a participação das comunidades locais nas atividades turísticas.

Trilha CAISCA
Trilha da Lagoinha do Leste, no Sul da Ilha. Foto: Andy Puerari / Divulgação PMF

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Caieira da Barra do Sul
Canasvieiras

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