Você sabe o que é preciso para ser considerado um verdadeiro manezinho da Ilha? Não estamos falando da certidão de nascimento. Muito menos do endereço. Ser manezinho ou manezinha tem mais a ver com um jeito de viver do que com um local de origem. Mas como? É parar para conversar sem olhar o relógio. É conhecer as histórias dos pescadores. É acompanhar um lanço de tainha como quem assiste a um espetáculo. É entender que algumas das melhores lembranças da Ilha não estão nos roteiros turísticos, mas nos pequenos momentos do cotidiano.
Neste clima e de carona no Dia do Manezinho da Ilha, celebrado no primeiro sábado de junho (em 2026, será dia 6 com o festival no Largo da Alfândega), reunimos experiências que ajudam a entender a “alma de Florianópolis”. Algumas são tradições centenárias, outras fazem parte da rotina de quem nasceu ou adotou a cidade como lar.
Confira, descubra e curta Floripa!
O que fazer para entrar no clima dos Manezinhos da Ilha
Assistir a uma roda de dominó
Em muitos bairros tradicionais de Florianópolis, especialmente nas comunidades mais antigas, o dominó continua sendo uma instituição. Até no Centro, próximo da Catedral, a cena é recorrente. As partidas acontecem em praças, bares e centros comunitários, reunindo amigos para horas de conversa, risadas e disputas amigáveis. Quem observa percebe rapidamente que o jogo é apenas uma parte da experiência.
Ver e participar de um lanço de tainha
Durante a safra da tainha, entre maio e julho, as praias ganham um movimento especial. Quando os pescadores avistam o cardume, começa uma operação coletiva que mobiliza comunidades inteiras. Moradores, turistas e curiosos costumam acompanhar cada etapa, desde o lançamento da rede até a chegada dos peixes à areia, inclusive ajudando a puxar a rede, uma experiência inesquecível.

Comer pastel de berbigão no Mercado Público
Poucos sabores são tão associados a Florianópolis quanto o berbigão. No Mercado Público, o tradicional pastel recheado com o molusco é uma parada obrigatória para quem deseja experimentar a culinária típica da Ilha e se vier acompanhado por um chope bem gelado, ainda melhor. E se estás no Mercado, aquela voltinha na ala das peixarias é obrigatória e quem sabe garantir um peixinho, um camarão ou outro fruto do mar para o almoço do fim de semana.

Aprender algumas palavras do manezês
“Tu visse?”, “Tash tolo?”, “Vou descê”, “Mofas com a pomba na balaia” e “Ô mô quirido” são apenas algumas das expressões que ajudam a contar a história da cidade. O chamado manezês é uma das heranças culturais mais marcantes da população local. E melhor do que apenas conhecer, é incorporar algumas das expressões ao vocabulário do cotidiano. Mas não seja uma mazanza: use com naturalidade, sem soar falso, não tem?
Conversar com um pescador
Os pescadores são verdadeiros guardiões da memória da Ilha. Em poucos minutos de conversa, surgem histórias sobre tempestades, pescarias memoráveis, mudanças na cidade e personagens que marcaram a vida das comunidades litorâneas. E, em época de pesca da tainha, assunto não falta, como, por exemplo, a importância e as técnicas dos olheiros, responsáveis por avistar a presença dos cardumes.

Ver uma rendeira trabalhando
A renda de bilro atravessa gerações e continua encantando moradores e visitantes. O som característico dos bilros batendo, a habilidade das artesãs e os desenhos que surgem lentamente revelam uma tradição que resiste ao tempo. E assim como no caso do pescador, conversar com as rendeiras é uma oportunidade de aprender mais sobre nossa história e tradições. E lembre-se: mais do que levar uma lembrança para casa, adquirir uma peça produzida por rendeiras locais é uma forma de valorizar uma tradição que continua viva graças ao trabalho de muitas famílias.

Passar um fim de tarde em Santo Antônio de Lisboa
Entre casarios históricos, ruas de pedra e barcos ancorados, Santo Antônio de Lisboa oferece uma das paisagens mais emblemáticas de Florianópolis. O pôr do sol transforma o bairro em um dos lugares mais bonitos da cidade. E já era uma atração muito antes da saudação ao sol se tornar “moda”… E seja em Santo Antônio de Lisboa, Sambaqui, Lagoa da Conceição ou Ribeirão da Ilha, observar o fim de tarde faz parte do estilo de vida de quem aprendeu a desacelerar e apreciar a paisagem de Floripa.
Comer ostras frescas no Ribeirão da Ilha
Florianópolis é referência nacional na produção de ostras e o Ribeirão da Ilha, ao lado de Santo Antônio de Lisboa, se destaca com suas fazendas marinhas. Por isso, experimentar a iguaria em um restaurante à beira-mar da tradicional localidade, das muitas maneiras oferecidas nos cardápios (in natura, ao bafo, gratinada…), e, ao mesmo tempo, observar os cultivos espalhados pela baía, é uma experiência que une gastronomia e identidade local. E mais: uma caminhado pelo bairro com seu patrimônio preservado também é um oportunidade conexão com a história da ocupação açoriana na Ilha.
Assistir a uma apresentação de boi de mamão
Colorido, divertido e cheio de personagens folclóricos, o boi de mamão faz parte da infância de muitos moradores da Ilha. A brincadeira mistura música, teatro e tradição popular em apresentações que encantam todas as idades e se mantém viva pelos inúmeros grupos dedicados a essa tradição e que vem encantando uma nova geração graças a um calendário frequente de apresentações em diversos eventos da cidade.

Experimentar uma tainha
Mais do que um prato típico, a tainha representa uma tradição. Durante a safra, famílias e amigos costumam se reunir para celebrar a pesca com receitas que passam de geração em geração. Escolha sua forma preferida de preparo (em posta, na brasa, escalada, ovada…), não esqueça dos acompanhamentos (pirão é indispensável!) e bom apetite!
Conhecer um engenho de farinha
Os antigos engenhos ajudam a entender como viviam as comunidades rurais da Ilha. A produção de farinha de mandioca foi uma atividade fundamental para muitas famílias e ainda faz parte da memória cultural de Florianópolis. Uma das opções é visitar o Engenho dos Andrade, no Caminho dos Açores, entre Cacupé e Santo Antônio de Lisboa.

Ouvir um causo de bruxa
As bruxas fazem parte do imaginário de Florianópolis há décadas. Histórias misteriosas envolvendo aparições, encantamentos e fenômenos inexplicáveis continuam sendo contadas de geração em geração. Uma dica é mergulhar no trabalho do folclorista Franklin Cascaes, pesquisador e guardião da cultura ilhéu. Seu livro “O Fantástico na Ilha de Santa Catarina” é leitura obrigatória para quem quer saber mais sobre nossa identidade manezinha, incluindo personagens como bruxas e benzedeiras.
Participar de uma festa tradicional
Celebrações como a Festa do Divino continuam reunindo comunidades em torno da fé, da música, da gastronomia e das tradições açorianas que ajudaram a moldar a identidade da cidade. O calendário oficial do Ciclo do Divino, aberto em maio, reúne festas em 15 comunidades que são oportunidades de conferir in loco uma das nossas mais tradicionais religiosas.
Tomar um caldo de cana em uma feira livre
As feiras livres continuam sendo pontos de encontro importantes em Florianópolis. Entre frutas, verduras, pescados e produtos artesanais, o visitante encontra um retrato autêntico do cotidiano da cidade. E uma das mais tradicionais acontece no Largo da Alfândega e que permite também tomar um caldo de cana, acompanhado por um pastel de feira enquanto observa o movimento.
Assistir a um clássico entre Avaí e Figueirense ao lado de um torcedor raiz
Poucas coisas despertam tanta paixão na Capital quanto o futebol. Assistir a um clássico entre Avaí e Figueirense ao lado de quem cresceu acompanhando a rivalidade entre os dois clubes é uma experiência cultural por si só. Fique de olho no calendário e no próximo jogo entre os times, seja na Ressacada, seja no Orlando Scarpelli, garanta seu ingresso.
Sentir saudade da Ilha antes mesmo de ir embora
Existe um momento em que Florianópolis deixa de ser apenas um destino turístico. É quando uma conversa no Mercado Público, uma caminhada pelo Ribeirão da Ilha ou um pôr do sol à beira-mar se transformam em lembranças que permanecem muito tempo depois da viagem. Talvez seja justamente aí que nasce um pouco de manezinho dentro de cada visitante.

Faça o teste: Tu já podes pedir cidadania manezinha?
Responda sim ou não para cada pergunta abaixo. Depois, some 1 ponto para cada resposta “sim” e confira o resultado.
Já assistiu a um lanço de tainha?
Já comeu pastel de berbigão?
Sabe o significado de “mofas com a pomba na balaia”?
Já ouviu alguém dizer “tu visse?”?
Já visitou o Ribeirão da Ilha?
Já passou uma tarde na Lagoa da Conceição?
Já viu uma apresentação de boi de mamão?
Já conversou com um pescador?
Já comeu ostra fresca produzida na Ilha?
Já visitou o Mercado Público sem ter compromisso?
Já ouviu uma história de bruxa da Ilha?
Já viu uma rendeira trabalhando?
Já participou de alguma Festa do Divino?
Já usou a expressão “vou descê”?
Já passou um sábado caminhando pelo Centro?
Já levou visitantes para conhecer um trapiche?
Já comprou artesanato típico da cidade?
Já assistiu ao pôr do sol em Santo Antônio?
Já sentiu saudade da Ilha mesmo estando nela?
Já explicou para alguém o que significa ser manezinho?
Resultado
0 a 5 pontos
Ainda estás conhecendo a Ilha.
6 a 10 pontos
Já pegaste o jeito da coisa.
11 a 15 pontos
Tens fortes traços manezinhos.
16 a 20 pontos
Ô mô quirido, és praticamente patrimônio cultural da Ilha!

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