O que fazer em Florianópolis em outubro: eventos, passeios e rolês para curtir a Ilha

De grandes eventos a trilhas, comunidades tradicionais, patrimônio histórico e experiências no mar, veja diferentes maneiras de explorar diferentes atrações da cidade.

Outubro ocupa uma posição particular no calendário de Florianópolis. A primavera já transformou a paisagem, os dias ficam mais longos e a cidade ainda não entrou no ritmo acelerado da alta temporada. Para quem mora na Ilha ou está de passagem, é um período que convida a explorar a Capital para além dos programas mais óbvios do verão.

O mar continua presente em boa parte dos passeios — visto de uma trilha, atravessado de barco, percorrido de canoa ou ligado diretamente à pesca e ao cultivo de moluscos. Mas outubro também abre espaço para descobrir caminhos rurais, unidades de conservação, comunidades tradicionais, áreas de Mata Atlântica e lugares históricos que muitas vezes ficam fora dos roteiros mais conhecidos.

A primavera acrescenta outra camada a essas experiências. A vegetação ganha força, a fauna fica mais ativa e as temperaturas podem favorecer caminhadas e atividades ao ar livre. O período, porém, também exige flexibilidade: Florianópolis pode alternar sol, vento e chuva em pouco tempo, e as condições do mar mudam rapidamente. Conferir a previsão antes de sair ajuda a escolher o programa mais adequado para cada dia.

E há outro motivo para colocar outubro no calendário: três grandes eventos movimentam Florianópolis ao longo do mês, com atrações que passam pela gastronomia e cultura local, pelo cinema e pela música.

Três principais eventos de outubro em Florianópolis

Fenaostra 2026 — 6 a 12 de outubro

A 24ª Festa Nacional da Ostra ocupa o CentroSul durante sete dias com uma programação dedicada à gastronomia, à maricultura, à cultura manezinha e à música. Entre as atrações estão Alexandre Pires, com show no dia 9, Dazaranha e outros nomes da programação.

No feriado de 12 de outubro, o encerramento terá atividades voltadas às famílias, com a Fenaostra Kids. O evento terá períodos de entrada gratuita e horários com cobrança de ingresso.

Confira a programação da Fenaostra 2026

Alexandre Pires programação fenaostra
Foto: Divulgação PMF

25ª Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis — 9 a 17 de outubro

Para quem procura programação com crianças, a 25ª Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis reúne nove dias de atividades e uma seleção de 137 filmes. Além das exibições, a agenda inclui oficinas, debates, exposição e ações educativas.

A programação gratuita estará concentrada principalmente no Centro Integrado de Cultura (CIC). No dia 17, o encerramento terá show do Palavra Cantada.

Veja a programação completa da Mostra de Cinema Infantil

mostra de cinema infantil
Foto: Divulgação

Folianópolis 2026 — 30 e 31 de outubro e 1º de novembro

Na virada de outubro para novembro, o Folianópolis leva três dias de axé à Passarela Nego Quirido. A edição de 2026 tem entre as atrações anunciadas Bell Marques, Léo Santana, Claudia Leitte, Xanddy Harmonia, Timbalada, Tomate, Banda Eva, É o Tchan e Psirico.

A micareta é destinada ao público maior de 18 anos, com acesso mediante compra de ingresso.

Veja atrações e informações do Folianópolis 2026

folianopolis 2026
Foto: Divulgação

Além dos eventos, há muito mais o que fazer em Florianópolis em outubro

A agenda do mês não termina nos grandes eventos. A primavera também favorece programas ao ar livre e oferece uma oportunidade para conhecer diferentes paisagens e modos de viver de Florianópolis. As possibilidades atravessam a cidade de norte a sul: há trilhas que levam a praias e comunidades mais isoladas, caminhos pelo interior da Ilha, patrimônio histórico visto a partir do mar, passeios urbanos, pedal, remada e experiências ligadas à produção de ostras.

A ideia não é cumprir uma lista de pontos turísticos, mas escolher programas de acordo com o tempo disponível, as condições do dia e a vontade de descobrir outros lados da cidade. Em alguns deles, chegar ao destino é apenas uma parte da experiência.

Caminho do Saquinho: quando chegar à praia é apenas parte do passeio

No extremo Sul da Ilha, o Saquinho é um desses lugares. O acesso pela região da Solidão leva a uma pequena praia cercada por morros e vegetação, mas o caminho tem tanta importância quanto o destino. Em uma parte de Florianópolis onde o relevo ajudou a manter comunidades relativamente afastadas da expansão urbana encontrada em outros trechos da costa, caminhar também é uma maneira de entender o território.

O percurso acompanha encostas e abre diferentes perspectivas para o litoral. Entre Mata Atlântica, costões e oceano, ajuda a perceber uma característica histórica dessa parte da Ilha: durante muito tempo, caminhos percorridos a pé foram fundamentais para conectar comunidades separadas pelos morros. A geografia que hoje torna o passeio interessante foi, em outros períodos, parte da rotina de deslocamento de quem vivia na região.

Mais do que encarar o trajeto como uma trilha de conquista, vale diminuir o ritmo e prestar atenção à paisagem. Em outubro, temperaturas mais moderadas podem tornar a caminhada mais confortável do que nos dias de calor intenso do verão e permitir que o percurso seja aproveitado sem a pressa de simplesmente chegar à praia. Depois de períodos de chuva, no entanto, trechos de subida e descida podem ficar escorregadios. Calçado adequado, água e tempo suficiente para fazer o caminho com tranquilidade são cuidados básicos.

Trilha do Saquinho. Foto: Allan Carvalho / Divulgação PMF

Naufragados combina trilha, praia e história marítima

Poucos passeios concentram tantas características de Florianópolis quanto uma caminhada até Naufragados. No extremo sul, a praia permanece separada da malha viária convencional, com acesso feito principalmente por trilha a partir da Caieira da Barra do Sul ou pelo mar. O relativo isolamento não é apenas uma característica do destino: faz parte da experiência de chegar até ele.

A caminhada atravessa vegetação de Mata Atlântica antes de alcançar uma praia voltada para a entrada da Baía Sul. Parar na faixa de areia, porém, significa conhecer apenas uma parte do lugar. A região reúne referências importantes da história marítima da Ilha, entre elas o Farol de Naufragados e antigas estruturas relacionadas à defesa da entrada da baía.

É um daqueles pontos em que geografia e história se explicam mutuamente. Dos costões, a abertura para o oceano, o continente e as ilhas próximas ajuda a visualizar a posição estratégica ocupada pelo extremo sul de Florianópolis nas antigas rotas marítimas. A paisagem deixa de funcionar apenas como cenário e ajuda a contar por que aquele trecho da Ilha teve importância para a navegação e a defesa.

Em outubro, temperaturas menos intensas podem favorecer a caminhada, mas é importante avaliar as condições da trilha depois de dias chuvosos e planejar o horário de retorno. Quem pretende utilizar transporte marítimo em algum trecho também deve confirmar previamente a disponibilidade do serviço e as condições do mar.

A própria Caieira merece atenção antes ou depois da trilha. Voltada para a Baía Sul, a comunidade oferece uma paisagem marcada por embarcações, morros e pela proximidade visual com o continente. Reservar algum tempo para percorrer as vias públicas e observar o entorno evita tratá-la apenas como estacionamento ou ponto de partida para Naufragados.

vista da trilha da praia do naufragados
Vista da trilha para a Praia do Naufragados. Foto: Simoni da Rosa / Arquivo Pessoal

Ribeirão da Ilha além da orla: caminhos rurais e memória agrícola

O Ribeirão da Ilha costuma entrar nos roteiros pela arquitetura açoriana, pelos restaurantes e pelas ostras. Basta se afastar da linha principal junto ao mar, porém, para encontrar outra dimensão do distrito. Estradas locais avançam em direção ao interior e atravessam áreas onde ainda é possível reconhecer características da ocupação rural do sul da Ilha.

Pequenas propriedades, morros cobertos por vegetação, cursos d’água e terrenos cultivados formam uma paisagem distante da imagem mais conhecida do Ribeirão. O passeio muda de natureza: em vez de procurar uma atração pontual, o interesse passa a estar no próprio território e na maneira como terra, relevo e ocupação humana se relacionam.

Mais para o interior, o Sertão do Ribeirão aprofunda essa experiência. Entre morros e vales, a região está historicamente relacionada à agricultura e às comunidades que ocuparam essa parte da Ilha. Estradas estreitas atravessam áreas de vegetação e pequenas propriedades, criando, em determinados pontos, uma sensação de distância da cidade muito maior do que os quilômetros sugerem.

Não há um circuito turístico único que organize esses caminhos — e esse é justamente um dos interesses do passeio. A proposta é circular pelas vias de acesso público, observar a paisagem e respeitar propriedades particulares e a rotina das comunidades. Na primavera, a presença da vegetação reforça o contraste com a Florianópolis mais urbanizada e com os balneários da costa.

Depois, retornar à orla e ao núcleo histórico completa o passeio. De um lado está o mar, associado à pesca, à navegação e à maricultura; de outro, a terra que também sustentou durante séculos as comunidades locais. Conhecer os dois lados ajuda a compreender o Ribeirão para além da imagem mais conhecida do distrito.

Fim de Tarde no Ribeirão da Ilha
Foto: Andy Puerari / Divulgação PMF

Santinho reúne dunas, restinga, costões e arqueologia

No norte da Ilha, a região do Santinho mostra como ambientes costeiros bastante diferentes podem conviver a pouca distância de áreas densamente ocupadas. Dunas, restinga, costões e Mata Atlântica dividem a mesma paisagem, criando transições que muitas vezes passam despercebidas por quem chega interessado apenas na praia.

Caminhar pela região também significa encontrar marcas de uma presença humana muito anterior à ocupação colonial de Florianópolis. Os costões são conhecidos pelos registros arqueológicos que testemunham outros períodos da ocupação da Ilha. É essa sobreposição entre natureza e história que dá outra dimensão ao passeio.

A paisagem, assim, deixa de ser apenas cenário. Dunas e costões passam a revelar diferentes camadas do litoral, enquanto a vegetação costeira ganha destaque com a primavera. A experiência pode ser tanto uma caminhada de observação quanto uma oportunidade para perceber como elementos naturais e vestígios humanos dividem o mesmo espaço.

Esse equilíbrio também exige cuidado. Dunas e restinga são ambientes frágeis, e a visita deve seguir caminhos consolidados, sinalizações e eventuais restrições de circulação. Evitar o pisoteio sobre a vegetação é uma maneira simples de não transformar o passeio em pressão adicional sobre aquilo que se foi conhecer.

patrimônio arqueológico
Foto: Allan Carvalho / Divulgação PMF

Ratones de bicicleta revela a face rural da cidade

Quem atravessa a Ilha em direção a Jurerê, Canasvieiras ou Ingleses pode passar perto de Ratones sem perceber que ali a paisagem muda consideravelmente. Estradas locais, áreas de vegetação, terrenos rurais e uma ocupação mais espaçada fazem do bairro um contraponto aos balneários e às regiões mais urbanizadas de Florianópolis.

Percorrer esses caminhos de bicicleta muda a escala da descoberta. O pedal permite cobrir uma área maior do que uma caminhada sem perder completamente os detalhes que desaparecem da janela de um carro. Áreas de mata, campos, pequenas propriedades e cursos d’água passam a fazer parte do percurso, mostrando uma Florianópolis pouco associada à imagem turística da cidade.

A paisagem também ajuda a perceber como os morros compartimentam a Ilha. Ao longo do tempo, esse relevo contribuiu para a formação de núcleos com características próprias mesmo quando separados por distâncias relativamente pequenas. Ratones não precisa, portanto, ser transformado artificialmente em um “circuito turístico”: parte do interesse está justamente em circular devagar por uma área onde a escala da ocupação é diferente.

As temperaturas da primavera podem favorecer o pedal, especialmente nas primeiras horas do dia. Como não se trata de uma ciclovia turística contínua, porém, o planejamento deve considerar trânsito, pavimentação e condições das estradas. Capacete, água, proteção solar e atenção nos trechos compartilhados com veículos são indispensáveis, assim como o respeito às propriedades privadas e a eventuais restrições de acesso.

ratones
Ratones. Foto: Divulgação

Ver as fortalezas pelo mar ajuda a entender por que elas estão ali

Vistas da terra, as fortalezas históricas da região de Florianópolis podem parecer monumentos isolados. A partir de uma embarcação na Baía Norte, começam a formar um sistema. Essa mudança de perspectiva é um dos principais interesses dos passeios marítimos pela região.

A localização das antigas fortificações estava diretamente relacionada aos canais de navegação e à estratégia de proteção da antiga Vila de Nossa Senhora do Desterro. Do barco, ilhas, pontas do litoral, morros e canais passam a se encaixar, mostrando como diferentes posições poderiam atuar de maneira articulada na defesa da entrada da baía.

Anhatomirim é um dos pontos que ajudam a contar essa história. A ilha abriga a Fortaleza de Santa Cruz, construída no contexto da ocupação portuguesa do Sul do Brasil e integrante do sistema criado para proteger o acesso à Ilha de Santa Catarina. Sua localização ganha outro significado quando o visitante chega pelo mesmo elemento que justificou sua construção: o mar.

Ao desembarcar, é possível percorrer o conjunto histórico e observar a arquitetura militar em diálogo com a paisagem. A visita conecta Florianópolis às disputas territoriais entre as coroas ibéricas e às antigas rotas marítimas do Atlântico Sul. Mesmo para quem normalmente não coloca patrimônio militar entre as prioridades de um passeio, a combinação entre navegação, ilha, arquitetura e paisagem amplia a experiência.

Os itinerários variam conforme o operador, o ponto de saída e as condições de navegação. Antes de contratar o passeio, é importante conferir quais fortalezas estão incluídas, se haverá desembarque e quanto tempo é reservado para as visitas. Em outubro, vento e condições do mar também podem interferir na programação.

Restauração da Fortaleza de Anhatomirim recebe R$ 67 milhões em investimento histórico
Foto: Henrique Almeida / Divulgação

Parque da Luz e Ponte Hercílio Luz formam um passeio urbano a pé

Nem todo programa de primavera precisa terminar em praia ou trilha. No Centro, o Parque da Luz oferece um ponto de partida para percorrer a cidade a pé e combinar área verde, patrimônio e diferentes perspectivas da paisagem urbana.

Instalado próximo à cabeceira insular da Ponte Hercílio Luz, o parque permite observar a estrutura, o canal e a região continental antes de seguir caminhada. A poucos metros dali, um dos principais cartões-postais de Florianópolis deixa de funcionar apenas como cenário e passa a fazer parte do percurso.

A inauguração da Hercílio Luz, na década de 1920, transformou profundamente a conexão entre Ilha e continente, até então dependente principalmente das travessias marítimas. Cruzar a ponte a pé permite experimentar fisicamente essa ligação e, ao mesmo tempo, observar a cidade de um ponto que normalmente é atravessado com outra velocidade.

O percurso também oferece uma mudança contínua de perspectiva. A vista que começa no Parque da Luz se transforma sobre o canal e novamente ao chegar à região continental. Para quem quer um programa menos exigente fisicamente do que uma trilha, é uma forma de combinar caminhada e patrimônio sem sair da área urbana. O fim da tarde acrescenta outro ritmo ao passeio. A mudança da luz sobre o canal e, depois, a iluminação da ponte e da cidade fazem com que o mesmo trajeto ofereça paisagens diferentes em poucas horas.

parque da luz
Parque da Luz. Foto: Divulgação PMF

Ponta das Campanhas ajuda a olhar a Armação além da praia

Na Armação, uma caminhada até a Ponta das Campanhas ajuda a perceber que o bairro guarda mais do que uma faixa de areia no Sul da Ilha. O próprio nome carrega a memória da atividade baleeira que teve importância econômica na região durante o período colonial e deixou marcas na história local.

A relação com o mar permanece visível, embora em outro contexto. Barcos, pesca artesanal e o movimento cotidiano junto à água continuam compondo a paisagem e ajudam a diferenciar a Armação de balneários onde a praia concentra praticamente toda a experiência do visitante.

Na Ponta das Campanhas, costões e pequenas áreas de circulação permitem observar o litoral e o movimento das embarcações. Não é necessário transformar a saída em uma caminhada longa ou fisicamente exigente. O interesse está justamente em diminuir o ritmo, olhar o entorno e perceber como comunidade, relevo e mar permanecem próximos.

O passeio pode ser combinado com uma caminhada pela Armação e pelas praias próximas. Em vez de chegar, fotografar e seguir adiante, vale reservar algum tempo para observar como o mar continua organizando a paisagem e fazendo parte da vida cotidiana dessa região da cidade.

praias do sul da ilha
Praia da Armação. Foto: Allan Carvalho / Divulgação PMF

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